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Crise econômica eleva exploração infantil na A.Latina, dizem EUA

Arquivo Geral

10/09/2009 0h00


 A crise econômica está invalidando os avanços da luta contra o trabalho infantil na América Latina, alertaram hoje os Estados Unidos, que destacaram, em particular, os abusos cometidos no Brasil, na Argentina e na Bolívia.

As denúncias estão contidas num relatório de quase 450 páginas. No documento, o Departamento de Trabalho aborda a situação de crianças cujas atividades diárias não priorizam o estudo nem o lazer, mas o trabalho em minas, fábricas e plantações.

De acordo com o estudo, crianças de 58 países trabalham na fabricação de 122 produtos. No caso do Brasil, o relatório destaca o caso dos menores obrigados a trabalhar em minas de carvão vegetal.

Sandra Polaski, subsecretária adjunta para Assuntos Internacionais do Departamento de Trabalho dos EUA, destacou à Agência Efe que, na América Latina, os anos de elevado crescimento econômico ao longo desta década e uma boa dose de vontade política por parte dos Governos tinham reduzido a exploração de crianças.

Porém, a crise econômica provocou alguns retrocessos, acrescentou.

Em grande parte da América Latina, segundo Polaski, os menores trabalham voluntariamente para ajudar os pais. Mas, num punhado de países, o problema é mais grave, já que as crianças forçadamente em alguns setores.

É o que acontece no setor têxtil argentino, na exploração da cana-de-açúcar e das castanhas na Bolívia e na produção de coca na Colômbia.

Algumas vezes, as crianças “basicamente são vendidas” a “recrutadores” que convencem os pais a entregarem-nas por uma ninharia ou pela falsa promessa de ensinar a elas um ofício, contou Polaski, quem coordenou a elaboração do relatório.

“Ao negar acesso à educação, o trabalho infantil condena à pobreza gerações e gerações”, denunciou a funcionária.

Na Índia, foi citado o exemplo das crianças pobres que fabricam bolas de futebol com as quais outras brincam. Sobre a China, o relatório fala dos menores que fabricam luzes de Natal exportadas para o mundo todo.

“Muita gente pensa que a escravidão acabou e que o trabalho infantil é uma coisa do passado. Este relatório mostra que estes são problemas do século XXI”, frisou Polaski.

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