Dezenas de milhares de manifestantes foram às ruas de várias cidades da Espanha neste sábado (3) para exigir ajuda aos inquilinos, um dia depois de legisladores rejeitarem um pacote de medidas emergenciais para enfrentar a crise de acessibilidade à moradia no país.
Grandes multidões marcharam em Madrid pedindo greve geral e moradia acessível. Em Valência, no leste do país, a polícia usou gás lacrimogêneo e balas de borracha para dispersar manifestantes que romperam o perímetro de segurança do lado de fora da Cidade das Artes e das Ciências – complexo futurista projetado pelo renomado arquiteto Santiago Calatrava -, onde ocorria uma conferência do setor imobiliário.
A indignação com o despejo de uma mulher de 87 anos colocou o governo progressista da Espanha sob pressão para enfrentar a crise crônica dos custos de moradia no país. Cerca de mil manifestantes passaram a última semana acampados na Puerta del Sol, em Madrid, depois que María del Carmen Abascal foi despejada, em 23 de setembro, da casa onde viveu por sete décadas no centro da cidade. Os manifestantes dizem que não deixarão o local até que o governo tome medidas concretas para proteger os inquilinos. Um acampamento semelhante surgiu na Plaza Catalunya, em Barcelona.
O governo do primeiro-ministro Pedro Sánchez reagiu com medidas emergenciais para restringir despejos, conter a especulação imobiliária e garantir contratos de aluguel por prazo indeterminado, entre outras ações. Ontem, porém, partidos conservadores de oposição uniram forças para rejeitar a ratificação das medidas no Parlamento, provocando a indignação dos manifestantes e alimentando especulações sobre uma possível antecipação das eleições por Sánchez, que enfrentará eleições nacionais no próximo ano.
Estadão Conteúdo