A ruim conjuntura financeira nos países desenvolvidos significará para a América Latina uma perda similar ao Produto Interno Bruto (PIB) anual do Chile.
O FMI divulgou seu cálculo no relatório “Panorama Econômico Regional”, que estima que a produção regional será 3% mais baixa em 2014 devido à crise, uma brecha que supera os US$ 150 bilhões.
Não só o nível do PIB será menor, mas o ritmo de crescimento também desacelerará.
Enquanto entre 2003 e 2008 a atividade econômica na região avançou 4,7% em média, o que permitiu uma queda da pobreza, de 2009 a 2014 o crescimento se limitará a 2,7% anual, segundo o FMI.
Esse cálculo geral, no entanto, esconde grandes disparidades. Brasil, Chile, Colômbia, México e Peru sairão com mais velocidade do fundo do poço, em parte porque economizaram em tempos de boa conjuntura e puderam estimular sua economia quando precisavam, segundo o relatório.
Argentina, Bolívia, Equador, Paraguai e Venezuela se beneficiarão da alta do valor das matérias-primas, mas crescerão a um ritmo mais lento, por estarem menos integrados com os mercados financeiros internacionais.
A uma velocidade similar se recuperarão América Central, Panamá, República Dominicana e Uruguai, que importam matérias-primas. Por isso, a escalada de preços prejudica esses países.
O Caribe seguirá sentindo 2010 como mais um ano de crise, segundo o FMI, já que o turismo foi prejudicado pelo elevado desemprego nos países ricos.
Além disso, para eles, a relativa abertura dos Estados Unidos para Cuba e um potencial crescimento econômico “pronunciado” no México significariam menos visitas de turistas americanos, alertou o organismo.
Se a economia dos EUA sofrer uma nova queda, os países sul-americanos que mantém relações com a Ásia continuarão crescendo, segundo o diretor do departamento das Américas do FMI, Nicolás Eyzaguirre, em um encontro com a imprensa em Washington antes de viajar para o Brasil, onde hoje apresentará e analisará as perspectivas contidas no relatório.
“O setor de matérias-primas seguirá bem”, disse Eyzaguirre, que afirmou que a China conta com um espaço fiscal “enorme” para estimular sua economia se for preciso, o que beneficiaria a América do Sul.
Peru, Chile e o próprio Brasil deveriam começar a retirar suas medidas de estímulo econômico, começando com uma redução do gasto fiscal, segundo Eyzaguirre.
Isto é particularmente importante para o Brasil, que receberá “grandes quantidades” de capital estrangeiro se a recuperação for garantida em seu território, disse.
Mas esse influxo não será totalmente benigno, pois acelerará ainda mais a apreciação do real, que se valorizou cerca de 25% frente ao dólar neste ano.
Para impedir que essa escalada ocorra, o que prejudica os exportadores brasileiros, o Governo impôs esta semana controles de capital, que taxam as compras estrangeiras de ações e bônus no mercado local.