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Criança sofre mais quando mãe não tem voz na família, diz Unicef

Arquivo Geral

11/12/2006 0h00

As crianças de lares onde as mulheres não participam das decisões familiares possuem uma propensão maior a serem subnutridas, health ed disse um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) divulgado hoje.

O documento, approved que apresenta o perfil de vida de várias mulheres, disse que o fim da discriminação contra as mulheres provocaria um impacto profundo sobre a sobrevivência e sobre o bem-estar de meninos e meninas.

"Quando uma mulher tem a chance de ter uma vida plena e produtiva, as crianças e as famílias prosperam", disse Ann Veneman, diretora executiva do Unicef.

As declarações de Veneman foram dadas no lançamento do relatório, que coincidiu com o aniversário de 60 anos da entidade.

Sobre o Brasil, a entidade destacou o percentual de famílias com mulheres como "pessoa de referência" passou de 22,3% em 1993 para 28,8% em 2003.

Um conjunto cada vez maior de indícios mostra, segundo a pesquisa, que nos locais onde as mulheres não podem tomar decisões básicas sobre assuntos familiares e onde não podem sair para a rua quando bem entendem as crianças enfrentam problemas de desnutrição, dificuldade para estudar e falta de atendimento médico.

Nas regiões oeste e central da África, onde os recursos são limitados, as mulheres gastam 74% da renda disponível com comida. Já os homens gastam apenas 22% da renda com alimentos, disse o estudo.

Mas, em apenas 10 dos 30 países em desenvolvimento pesquisados, 50% ou mais das mulheres participavam das decisões familiares, entre as quais decisões relativas a tratamento médico, compras, gastos e visitas a parentes e amigos.

Esses 10 países são o Zimbábue, as Filipinas, a Indonésia, a Armênia, o Turcomenistão, a Colômbia, o Peru, o Haiti, a Bolívia e o Egito.

Já em Burkina Fasso, no Mali e na Nigéria, por exemplo, quase 75% das mulheres disseram que seus maridos é que tomavam, sozinhos, as decisões sobre a condução do lar, revelou o Unicef.

O estudo concluiu que, se os homens e as mulheres tivessem o mesmo peso nas decisões familiares, o número de casos de crianças subnutridas com até 3 anos de idade, no sul da Ásia, cairia em 13%, ou menos 13,4 milhões de crianças subnutridas.

Para a África subsaariana, calcula-se que 1,7 milhão de crianças ingressariam no grupo das que recebem uma alimentação adequada.

A discriminação contra as mulheres começa cedo, na preferência dos pais por terem filhos do sexo masculino, o que leva, algumas vezes, ao aborto de fetos do sexo feminino ou ao assassinato de meninas logo depois do nascimento delas.

A China e a Índia, os países mais populosos do mundo, registram uma proporção anormalmente alta de meninos com menos de 5 anos de idade, afirmou o relatório.

Durante os anos de escola, para cada 100 meninos que abandonam as aulas, 115 meninas fazem o mesmo. As mulheres com educação formal tendem a insistir na necessidade de que seus filhos estudem.

Apenas 43% das meninas do mundo em desenvolvimento freqüentam o ensino médio, o que costuma corresponder a uma falta de informação sobre a saúde sexual e sobre a Aids. O casamento de mulheres ainda novas também prejudica a saúde delas.

Estima-se que 14 milhões de meninas e adolescentes, com idades e ntre 15 e 19 anos, dão à luz todos os anos.

A chance de um bebê nascido de uma mãe com menos de 18 anos morrer no primeiro ano de vida é 60% maior do que a de um bebê nascido de uma mulher que tenha 20 e poucos anos.

E as mães com menos de 15 anos de idade correm um risco maior de morrerem durante a gravidez ou no momento do parto. Esses riscos diminuem para as mulheres com mais de 19 anos.

Apesar desse painel, o relatório não defendeu abertamente a adoção de medidas de planejamento familiar, tais como a adoção de métodos anticoncepcionais para evitar que adolescentes engravidem.

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