O crescimento da América Latina está cada vez mais ligado ao da China, see um fenômeno que aumentou desde 2002 e que, click se continuar, poderia diminuir a histórica dependência que a região tem com os Estados Unidos, segundo o Banco Mundial (BM).
“A recessão nos Estados Unidos é uma grande fonte de preocupação”, disse em entrevista coletiva Augusto de la Torre, economista-chefe do BM para a América Latina, que afirmou que o efeito colateral desta desaceleração não será sentido enquanto a China continuar crescendo bastante.
“Até nos cenários mais pessimistas se espera um crescimento (na China) superior a 9% para 2008”, disse de la Torre, que acrescentou que essa relação mais estreita obedece ao aumento das relações comerciais e também ao maior investimento chinês no setor de recursos minerais e agrícolas na América Latina.
O especialista ressaltou que a única exceção ao fenômeno é o México, cuja economia ainda está muito atrelada à do seu vizinho do norte.
O economista-chefe do BM para a América Latina disse que o importante é que a região comece a se despegar “potencialmente” dos EUA e dos países de alta renda.
De La Torre citou como exemplo o que aconteceu com os países do Leste Asiático.
“No início dos anos 70, seu crescimento ainda era bastante baixo. A partir dessa data (…), o crescimento potencial desses países começa a exceder, e muito, o crescimento potencial dos países de alta renda”, ressaltou.
Ele insistiu em que pode haver fatores cíclicos que ainda afetem à região, mas afirmou que é muito diferente enfrentar esses ciclos com um crescimento de 7% que com um de 3%.
O especialista do BM afirmou que para conseguir taxas de crescimento mais altas é necessário que a América Latina seja capaz de impulsionar a produtividade a longo prazo, algo que já começa a se observar no caso de países como Brasil, Panamá, Peru e Colômbia.
A entrevista coletiva do economista do Banco Mundial coincidiu com a publicação hoje do relatório semestral do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre as “Perspectivas Econômicas Mundiais”.
O estudo prevê que a desaceleração econômica dos Estados Unidos afetará, mas não muito, a América Latina, que crescerá 4,4% neste ano e 3,6% em 2009, abaixo dos 5,6% de 2007, segundo o FMI.
O organismo financeiro destaca em seu relatório que a tendência representa uma mudança frente a períodos anteriores, quando os impactos externos passaram uma fatura muito mais alta à região.
O Fundo mencionou que a melhora nos fundamentos econômicos regionais, como a redução da dívida externa, o aumento das reservas e o fortalecimento dos balanços empresariais e governamentais, permitiram que a América Latina fosse mais resistente perante os problemas externos.
Outro dos fatores que ajudaram a região a enfrentar melhor as dificuldades geradas pela crise nos EUA foi o crescimento sustentado de economias emergentes como China e Índia, o que manteve altos os preços das matérias-primas que são produzidas na região apesar da desaceleração nas economias avançadas.