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Mundo

Cortes de internet na Rússia para ‘segurança’ dos cidadãos

Governo afirma que medidas tecnológicas buscam garantir segurança diante de ameaças da Ucrânia, enquanto usuários relatam falhas de conexão

Redação Jornal de Brasília

11/03/2026 14h20

dmitry peskov

Foto: Reprodução/X

O Kremlin afirmou nesta quarta-feira (11) que manterá “todo o tempo que for necessário” os cortes e as importantes perturbações que estão ocorrendo nas conexões à internet na Rússia para garantir “a segurança dos cidadãos” diante das ameaças ucranianas.

Há vários dias, numerosos usuários relatam em Moscou e em outras regiões dificuldades para se conectar à internet por meio das operadoras de telefonia móvel, poucas semanas depois de terem sido adotadas medidas para limitar o acesso a dois populares serviços de mensagens.

“O regime de Kiev utiliza métodos cada vez mais sofisticados para seus ataques e são necessárias medidas tecnológicas de resposta para garantir a segurança dos cidadãos”, justificou o porta-voz da presidência russa, Dmitry Peskov, durante sua coletiva de imprensa diária.

Ele confirmou que as autoridades russas haviam tomado “medidas sistêmicas” em relação às conexões à internet e assegurou que elas estavam sendo realizadas “em estrito cumprimento” da lei.

– “Listas brancas” –

Esses cortes e importantes perturbações estão causando problemas, especialmente em Moscou, para pedir táxis ou comida on-line.

Peskov propôs que alguns desses sites afetados sejam adicionados a “listas brancas”, que reúnem as páginas da internet que devem continuar funcionando em caso de apagões.

“A análise dessa experiência sem dúvida permitirá propor uma solução diferente para os problemas que, infelizmente, acompanham essas limitações”, afirmou.

Os meios de comunicação russos informaram que muitos bairros da capital foram afetados por cortes totais ou parciais da internet móvel.

Segundo kod.ru, um site especializado no acompanhamento de tecnologias na Rússia, a maioria das queixas por perturbações na rede em Moscou foi registrada nos distritos centrais.

A cidade experimenta cortes repetidos de internet e o serviço às vezes cai para todas as operadoras em toda a cidade, segundo esse site.

No entanto, alguns sites da chamada “lista branca” (páginas essenciais e autorizadas a operar durante as perturbações) continuavam funcionando.

Essa lista, ainda incompleta e lançada meses atrás, é atualizada constantemente e inclui aplicativos e sites governamentais, além de alguns bancos e meios de comunicação estatais.

Marina, de 24 anos, entrevistada nesta quarta-feira em Moscou pela AFP, confirmou que agora é “muito mais complicado” escrever para seus familiares a partir do centro da capital.

Os serviços de mensagens “já não funcionam” e isso gera “muitas dificuldades para comunicações simples e cotidianas”.

Alexander, de 42 anos, funcionário de uma empresa, explicou que isso complica seu trabalho: “Não posso escrever para meus clientes”, lamentou, sem dar seu sobrenome.

Esse funcionário especificou que a rede wifi continua funcionando e que, quando está fora, procura um ponto de conexão wifi para enviar mensagens.

Um jornalista da AFP confirmou que a conexão à internet na quarta-feira também era muito ruim a várias centenas de quilômetros de Moscou.

– Maior controle –

Essas limitações se inserem em um contexto de maior pressão sobre a sociedade exercida pelo Kremlin desde o início do ataque em larga escala contra a Ucrânia, em 2022.

Nas últimas semanas, as autoridades restringiram o acesso aos aplicativos de mensagens WhatsApp e Telegram, por considerar que infringiam a lei.

Críticos do governo afirmam que essas medidas têm como objetivo reforçar o controle do Estado sobre a internet.

O uso de uma rede privada virtual (VPN) continua permitindo acessar sites e aplicativos bloqueados na Rússia, embora as autoridades já tenham impossibilitado a conexão a múltiplas VPNs desde 2022.

AFP

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