O presidente equatoriano, Rafael Correa, questionou hoje em Lima a capacidade da Colômbia de controlar o uso das bases militares em seu território por parte de tropas americanas e ratificou que o acordo entre Bogotá e Washington é um assunto de toda a região.
“Quando os norte-americanos se deixaram controlar?”, disse Correa a jornalistas durante uma escala técnica em Lima a caminho da cúpula da União de Nações Sul-americanas (Unasul), que será realizada nesta sexta-feira na cidade argentina de Bariloche para discutir o acordo entre Bogotá e Washington, que permite o uso de pelo menos sete bases colombianas por militares americanos.
Para o presidente equatoriano, “com essas bases, os norte-americanos têm uma capacidade de ação em toda a América do Sul. São coisas que preocupam”.
Correa também lembrou que seu país teve uma base americana durante uma década e que, apesar de que estava sob controle equatoriano, disse ter “graves denúncias de uma série de atos que eram impossíveis de controlar e que estão sob investigação”.
Além disso, o presidente equatoriano pôs em dúvida a luta antidrogas americana ao manifestar que a luta contra o narcotráfico é “o novo bordão” dos Estados Unidos, que substitui à outrora luta anticomunista, um assunto que “é um motivo de grave preocupação para toda a América Latina”.
O presidente equatoriano também arremeteu contra os gastos com armas da Colômbia, que, segundo ele, tem as despesas militares mais altas da região, “sem contar a ajuda americana que recebe pelo Plano Colômbia”.
Na véspera da cúpula da Unasul, Correa defendeu que a América Latina “seja um território de paz, livre de bases estrangeiras”, ao confiar em que a reunião de Bariloche servirá para resolver “as dúvidas e a incerteza por meio do diálogo”.