A Coreia do Norte perdoou Laura Ling e Euna Lee, as jornalistas americanas detidas no país, depois que o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton viajou à península norte-coreana para tramitar a libertação das repórteres, informou a agência oficial norte-coreana citada pela emissora de TV “CNN”.
As duas receberam o perdão do líder comunista norte-coreano Kim Jong-il depois que Clinton expressou “sua mais sincera desculpa pelos atos hostis cometidos pelas comunicadoras contra a Coreia do Norte, após terem entrado no país ilegalmente”, segundo a agência oficial “KCNA”, citada pela “CNN”.
De acordo com estas fontes, Clinton transmitiu a Kim Jong-il o “sério pedido do Governo dos Estados Unidos” para que perdoasse as jornalistas americanas e permitisse seu retorno do ponto de vista humanitário.
Pouco antes de conseguir o perdão para as duas repórteres, o ex-presidente se reuniu com Laura Ling e Euna Lee.
O encontro do ex-líder com as jornalistas foi “muito emotivo”, disse uma fonte do Governo americano à rede de televisão “ABC”, mas nem o porta-voz da Casa Branca nem o do Departamento de Estado quiseram revelar hoje oficialmente mais detalhes da missão de Clinton.
A “ABC” informou que as fontes, inteiradas da missão da equipe de Bill Clinton, confiam em que as duas mulheres possam retornar amanhã mesmo aos Estados Unidos.
O ex-presidente pretende deixar a Coreia do Norte esta noite.
O jornal “Político” afirmou hoje em sua edição digital que a viagem de Bill Clinton a Pyongyang aconteceu depois que funcionários norte-coreanos comunicaram às famílias das duas jornalistas detidas que as entregariam ao ex-líder americano, após o que pediram que as ajudasse.
O “Político” assegurou que a Casa Branca autorizou a missão, que teria sido planejada em segredo durante semanas, informação corroborada pela “ABC”, que afirma, porém, que foi o ex-vice-presidente Al Gore quem pediu a Clinton que fosse a Pyongyang para tentar libertar as duas.
O Governo mantém um silêncio praticamente absoluto sobre a missão de Bill Clinton, com a exceção desta manhã, quando o porta-voz da Casa Branca, Robert Gibbs, divulgou um comunicado e mais tarde negou que o ex-presidente tenha transmitido uma mensagem a Kim Jong-il, com quem se reuniu em Pyongyang.
Para o Governo dos Estados Unidos, as gestões diplomáticas que o ex-presidente realizar se emolduram em uma missão “exclusivamente privada”, afirmou Gibbs em comunicado.
As duas repórteres americanas que trabalham para o site “Current TV”, de San Francisco, EUA, foram detidas em 17 de março na fronteira da Coreia do Norte com a China enquanto gravavam imagens para um documentário sobre o tráfico de mulheres refugiadas norte-coreanas.
Em junho, o principal tribunal norte-coreano as condenou a 12 anos de trabalhos forçados por entrada ilegal em território da Coreia do Norte.