Além de lançar os mísseis, em um claro gesto de desafio, Pyongyang ameaçou paralisar o seu processo de desnuclearização, caso os EUA não retirem as reivindicações relativas ao tema que considera “injustas”. Os americanos exigem que o país comunista esclareça tudo o que for relativo a seu suposto programa de enriquecimento de urânio.
O Estado-Maior Conjunto sul-coreano confirmou que Pyongyang lançou projéteis de curto alcance, um ato que Seul considera parte das manobras militares rotineiras do país comunista.
O Governo japonês minimizou a notícia, e se limitou a informar que suas forças militares “não tomaram nenhuma decisão especial a esse respeito”.
Segundo o Estado-Maior da Coréia do Sul, o incidente desta manhã não passa de um teste com mísseis de curto alcance no Mar Amarelo. Suspeita-se que os ensaios façam parte de manobras militares para testar a qualidade dos projéteis norte-coreanos.
Essas fontes se recusaram a confirmar o número e o tipo de mísseis lançados pela Coréia do Norte, mas a agência de notícias “Yonhap” informou que seriam entre três e quatro mísseis Styx, de fabricação russa, com um alcance de 46 quilômetros.
Segundo a imprensa sul-coreana, três dias antes do lançamento, a Coréia do Norte havia proibido a circulação de navios civis na região, para preparar o lançamento dos mísseis.
Esse lançamento de projéteis norte-coreanos é o primeiro em nove meses, e ocorre um mês depois de o novo presidente da Coréia do Sul, Lee Myung-bak, ter assumido seu cargo.
“Parece se tratar de uma manobra militar freqüente. Não acredito que a Coréia do Norte seja favorável à estagnação das relações entre as duas Coréias”, indicou um porta-voz da Presidência.
No entanto, um porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores norte-coreano culpou hoje Washington por atrasar o processo de desnuclearização, ao “insistir em algo que não existe”.
O porta-voz se referia às acusações americanas de que a Coréia do Norte mantém um programa de enriquecimento de urânio, além de um programa de plutônio já declarado.
Para a Coréia do Norte, a insistência dos Estados Unidos neste assunto poderia causar um “sério impacto” no processo de desnuclearização norte-coreano.
Desde que o governante sul-coreano, Lee Myung-bak, assumiu a Presidência, as relações entre as Coréias se deterioraram de maneira notável.
Pouco após chegar ao poder, Lee anunciou uma mudança de atitude em relação a Pyongyang, e afirmou que condicionará a política da Coréia do Sul para a Coréia do Norte à desnuclearização do regime comunista.
Em resposta à nova situação, a Coréia do Norte expulsou ontem os funcionários sul-coreanos que trabalhavam no complexo de cooperação econômica da cidade norte-coreana de Kaesong.
Esta decisão veio à tona apenas um dia depois de Seul ter anunciado que denunciará na ONU a situação dos direitos humanos no país comunista, em uma ostensiva mudança de rumo em relação à política mantida durante uma década.
Pyongyang se comprometeu no ano passado, com Coréia do Sul, EUA, Japão, Rússia e China, a desmantelar seu potencial nuclear e a declarar todos os seus programas nucleares, em troca de incentivos energéticos e políticos.
No entanto, o prazo fixado expirou em 31 de dezembro, sem que o regime comunista cumprisse sua promessa, o que estagnou as negociações destinadas a pôr fim ao programa nuclear norte-coreano por via das negociações.
O ministro de Assuntos Exeriores sul-coreano, Yu Myung-hwan, fixou ontem um prazo limite, que expira no mês de agosto, para que a Coréia do Norte dê algum passo para solucionar o atual bloqueio do processo.
O chefe da diplomacia sul-coreana opinou ainda que as conversas de seis lados entre as duas Coréias, Rússia, China, Japão e EUA deverão ser retomadas antes de junho para obter esse objetivo.