O negociador dos Estados Unidos no diálogo de seis lados para o desarmamento nuclear da Coréia do Norte, cure Christopher Hill, afirmou hoje que o país asiático está disposto a desmantelar todo o seu programa nuclear até o fim do ano.
“Necessitamos de um período de tempo médio para a segunda fase da desnuclearização”, disse Hill, após as conversas informais que manteve hoje com os negociadores norte-coreano, russo e japonês, na qual tratou da data na qual Pyongyang deve desmantelar seu programa nuclear, em troca de uma ajuda estipulada. “Na minha opinião, devemos concluir isto ainda em 2007”, afirmou Hill.
Hill rejeitou a possibilidade de possíveis mudanças no calendário, após os encontros de hoje. Os negociadores das duas Coréias, EUA, Rússia e Japão aterrissaram hoje na capital chinesa para realizar, nos dias 18 e 19 de julho, uma reunião de delegados junto com o representante do país anfitrião.
Na reunião, será negociada a segunda fase do processo de desarmamento da Coréia do Norte, após a conclusão, no último domingo, da desativação de seu principal reator, Yongbyon, em troca de um primeiro envio de petróleo pesado.
O reator, no entanto, ainda não está inutilizado, segundo lembraram hoje especialistas chineses. Washington reiterou nas últimas semanas seu desejo de que o programa nuclear norte-coreano seja desmantelado ainda este ano.
Em outubro do ano passado, o país asiático realizou seu primeiro teste atômico. “Expus meu ponto de vista sobre como podemos atuar, e acho que tivemos uma boa discussão”, disse Hill aos jornalistas, ao referir-se a seu encontro com o delegado norte-coreano Kim Kye-gwan.
A primeira fase do desarmamento previa o fechamento de Yongbyon em troca de um primeiro envio de 50 mil toneladas de petróleo, das quais 6.200 foram recebidas por Pyongyang no sábado, procedentes da Coréia do Sul.
Na segunda fase, a Coréia do Norte terá que dar conta de todo o seu programa nuclear, em troca de 950 mil toneladas adicionais de petróleo pesado, além de iniciar o estabelecimento de vínculos diplomáticos com os EUA e o Japão;
Está prevista ainda a criação de um mecanismo permanente de paz na região entre as duas Coréias. Os cinco países que negociam com Pyongyang terão que fornecer ajuda energética ao país. O auxílio será discutido na reunião de dois dias entre os delegados.
Hill se mostrou otimista ainda em relação à possibilidade de fixar uma agenda de desnuclearização durante o encontro de amanhã. “Acho que é possível. Estes encontros estão sendo bons, e todos se sentem bastante seguros acerca do formato de seis lados. Acho que estamos todos na mesma sintonia”, disse.
Os delegados dos outros países se mostraram menos otimistas, e lembraram que o fechamento de Yongbyon é só um primeiro passo. “Temos pela frente um caminho cheio de buracos”, explicou o sul-coreano Chun Yung-Woo, em sua chegada a Pequim.
Os inspetores da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) visitaram hoje outros dois reatores inativos, e instalaram equipamentos de vigilância e observação, após verificar o fechamento de Yongbyon.
A crise nuclear norte-coreana teve início em 2002, quando Washington acusou Pyongyang de ter iniciado um programa de enriquecimento de urânio.