A Coreia do Norte disse hoje que extraiu plutônio para armas atômicas com o reprocessamento de barras de combustível nuclear, um dias depois de pedir aos Estados Unidos que aceitem negociar bilateralmente.
Segundo a agência oficial norte-coreana “KCNA”, o regime comunista da Coreia do Norte concluiu, no fim de agosto, o reprocessamento de 8.000 barras de combustível armazenadas na usina nuclear de Yongbyon para extrair plutônio e aumentar suas reservas de material atômico.
A “KCNA” não disse a quantidade do plutônio obtido, mas o rendimento de uma dessas barras é de 1%. Por esse motivo, segundo analistas, com o reprocessamento de 8.000 barras seria possível extrair aproximadamewnre sete quilos de plutônio, quantidades suficiente para construir uma bomba atômica.
O passo dado por Pyongyang aumentaria a capacidade norte-coreana de construir armas atômicas, uma vez que o país já teria 40 quilos de plutônio processado para a montagem de cerca de cinco bombas nucleares.
A Coreia do Sul não demorou a condenar o anúncio norte-coreano. O porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, Moon Tae-young, disse que o reprocessamento viola as resoluções da ONU.
Para a comunidade internacional, parece ter ficado claro que a Coreia do Norte quer aumentar seu arsenal nuclear. E, caso não consiga fazer as relações com os Estados Unidos avançarem, talvez o país realize um novo teste nuclear, segundo analistas sul-coreanos citados pela agência “Yonhap”.
Os EUA retardaram uma decisão sobre o diálogo bilateral com constantes apelos para que a Coreia do Norte voltasse às negociações multilaterais.
Ao anunciar a extração do combustível nuclear nesta terça-feira, Pyongyang disse que o passo é “uma importante conquista na utilização do plutônio em armamentos e para aumentar seu poder de dissuasão”.
Ao mesmo tempo, lembrou que está reativando a usina nuclear de Yongbyon, que começou a ser desmantelada em 2007.
O anúncio de Pyongyang foi feito um dia depois de a Coreia do Norte ter dito que estava pronto para negociar seu programa nuclear, com os Estados Unidos de maneira bilateral, o que foi interpretado como uma medida de pressão para acelerar o acordo.
Além disso, coincide com a melhora das relações diplomáticas com Coreia do Sul e os EUA após meses de tensões, agravadas em maio quando o regime comunista fez um segundo teste nuclear e o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou uma resolução mais severa em relação ao país.
Recentemente, a Coreia do Norte enviou altos funcionários aos EUA para que negociassem os detalhes de uma possível visita a Pyongyang do represente americano para a Coreia do Norte, Stephen Bosworth.
Ontem, ao pedir que os EUA aceitassem conversar a dois, o regime norte-coreano acrescentou que seguiria seu próprio caminho se Washington declinasse do convite.
A reunião bilateral com Washington é uma condição prévia imposta pela Coreia do Norte para retornar às negociações com EUA, China, Japão, Rússia e Coreia do Sul.
Além disso, em setembro, a Coreia do Norte anunciou progressos no processo de enriquecimento do urânio usado na fabricação de armas atômicas.
Até o momento, o país já efetuou dois testes nucleares subterrâneos, um em 2006 e outro este ano.
Segundo Pyongyang, o desenvolvimento nuclear e de mísseis é necessário para dissuadir os Estados Unidos e a Coreia do Sul da ideia de invadir seu território.