Representantes da comunidade cristã copta no Egito reprovaram nesta quarta-feira a atuação das autoridades na crise provocada pelos distúrbios de domingo, que causaram a morte de manifestantes coptas, e exigiram a renúncia do governo.
Em entrevista coletiva, o presidente da Organização Geral dos Coptas no Egito, Sherif Doss, acusou o Executivo liderado por Essam Sharaf de “ser incapaz de controlar os últimos acontecimentos no país”, perdendo a confiança de sua comunidade.
Doss lamentou as frustradas tentativas das associações cristãs de se reunirem com o Conselho de Ministros desde a queda do regime de Hosni Mubarak em 11 de fevereiro.
“Queremos mostrar claramente nossos problemas ao governo, que até o momento não cumpriu suas promessas com seriedade”, manifestou o chefe da organização dos coptas egípcios, que representam um décimo da população do país e que são membros de uma das igrejas mais antigas do Oriente.
Na terça-feira, o vice-primeiro-ministro Hazem Beblawi apresentou sua renúncia à Junta Militar que governa o país desde a queda de Mubarak, que se recusou a aceitá-la em um momento crítico para a transição democrática.
Insatisfeito com esta resposta, Doss insistiu em reivindicar responsabilidades políticas pelos incidentes do último domingo no centro do Cairo, onde morreram pelo menos 25 pessoas em consequência dos conflitos entre os manifestantes e o Exército.
O presidente da Organização Geral dos Coptas também pediu aos responsáveis da televisão e da rádio estatais que se responsabilizem pela cobertura dos fatos, já que “suas declarações não têm credibilidade por não corresponderem à realidade, além de deixarem o Egito a um passo de uma guerra civil e sectária”.
Na noite dos confrontos, a imprensa culpou os manifestantes de usarem a violência contra as forças da ordem, apesar de ter tentado amenizar a mensagem posteriormente.
Entre suas reivindicações, a Organização Geral dos Coptas destacou a necessidade de reforçar a segurança das igrejas e das instituições coptas em todo o país, principalmente às vésperas das próximas eleições, que serão realizadas a partir de 28 de novembro.
A organização copta também pediu que seja investigado o governador da província de Assuã, onde o recente incêndio de uma igreja provocou o descontentamento popular e motivou o protesto na capital.
Na conferência, também estiveram presentes líderes políticos de tendência liberal, como o magnata Naguib Sawiris, fundador do Partido dos Egípcios Livres, que criticou a violência usada para reprimir os manifestantes, ao contrário de outros protestos pacíficos no país.
“Estamos diante de um verdadeiro dilema porque a situação no Egito é muito delicada e as Forças Armadas devem assumir sua responsabilidade”, indicou Sawiris.