As autoridades paraguaias continuam hoje as tarefas de evacuação e de assistência das centenas de famílias afetadas no leste e sul do país pela cheia do Rio Paraná, que já tirou duas vidas.
Os ministérios de Saúde e de Emergência Nacional, assim como outros organismos estatais, se cuidam da evacuação das famílias afetas em Encarnación e Ayolas, ao sul de Assunção e na fronteira com a Argentina, em onde está emprazada a represa argentino-paraguaia de Yacyretá.
Também realizam evacuações de famílias em Ciudad del Este, a 330 quilômetros de Assunção e na zona de influência da represa de Itaipu, compartilhada pelo Paraguai e Brasil.
Fontes oficiais informaram do falecimento na quinta-feira passada de um pescador de 63 anos no bairro de San Rafael de Ayolas, onde cerca de 500 famílias já foram evacuadas pelo serviços de assistência, enquanto em Ciudad del Este se reportou o afogamento de uma criança em um populoso bairro ribeirinho.
A Entidade Binacional Yacyretá (EBY), que explora a represa de mesmo nome, alertou aos moradores dessas regiões sobre a probabilidade de um aumento do volume de água.
“O Comitê de Emergência Distrital (CED) da EBY, junto a outras instituições públicas e privadas de Encarnación, faz um chamado à população que ainda se encontra nos bairros mais críticos da zona baixa, que estão no limite de ver comprometidos seus bens e sua integridade física, a que abandonem estes lugares”, assinalou em um comunicado a entidade binacional.
Indicou, além disso, que a EBY seguirá abrindo de maneira coordenada as comportas para evitar maiores picos de inundações em cima e debaixo da represa.
Já a Secretaria de Emergência Nacional (SEN), que conta com categoria de Ministério, informou que em Ciudad del Este, vizinha à Foz do Iguaçu, cerca de 578 famílias foram afetadas pela cheia do Paraná e que a situação se agravou nessa região após o temporal que caiu com grande intensidade na véspera em grande parte do país.
A EBY indicou em comunicado que já assistiu 230 famílias e 200 donos de comércios da zona baixa de Encarnación, em onde se concentra a zona comercial de essa urbe, a terceira do país.
Precisou, além disso, que se trata de “um comportamento cíclico que se repete a cada quatro a cinco anos, sendo a última em outubro de 2005”, e que este ano se agravou pelo fenômeno climático “El Niño”.