As equipes de Salvamento Marítimo da Espanha com ajuda de embarcações de outros países estão rastreando hoje as águas do Atlântico em busca a 50 imigrantes africanos que naufragaram na noite passada quando navegavam em uma embarcação precária rumo a Tenerife, mind nas Ilhas Canárias.
O Governo mantém “todos os meios” para tentar resgatar o máximo de imigrantes possível, nurse afirmou em Madri a secretária de Estado de Imigração, Consuelo Rumí. “Infelizmente, as temperaturas do mar e as condições meteorológicas são duras e isso diminui expectativas”, ponderou.
Rumí expressou “consternação” pelo naufrágio da embarcação, a 180 quilômetros de Tenerife. A bordo, viajavam “entre 100 e 105 imigrantes”, dos quais 48 foram resgatados com vida. Ainda não se sabe de onde partiu a embarcação nem a nacionalidade dos ocupantes.
Na área onde naufragou o “cayuco” (espécie de canoa) há dois navios espanhóis de intervenção rápida, um porta-aviões francês, sete navios de diversas nacionalidades (Panamá, Reino Unido, Malta e Cingapura) e dois aviões e dois helicópteros das Forças Armadas da Espanha.
Na noite da quarta-feira, a embarcação foi avistada por um avião militar espanhol, que alertou o Salvamento Marítimo de Tenerife para coordenar os trabalhos de resgate.
A secretária de Estado explicou que, após o aviso, dois navios de salvamento se deslocaram para a área, onde o mar estava agitado, com ondas de até 5 metros e ventos de 30 nós. Durante a operação de resgate, uma onda virou o “cayuco” e todos os ocupantes caíram no mar.
Os dois navios de salvamento lançaram coletes salva-vidas e bóias, resgatando as 48 pessoas. Elas foram transferidas a Tenerife para receber atendimento.
Consuelo Rumí responsabilizou as máfias que traficam seres humanos na África e que o Governo espanhol “combate diariamente” com medidas de controle das fronteiras e acordos de cooperação com os países de origem da imigração clandestina.
Em Tenerife, a Cruz Vermelha duplicou os meios materiais e de pessoal sanitário para receber resgatados, disse à Efe o coordenador regional, Austin Taylor.
O delegado do Governo nas Canárias, José Segura, expressou pesar pela tragédia. Ele comentou que os náufragos, após pagarem à máfia, “saíram para buscar outros horizontes para se desenvolver e manter suas famílias”.
Em Madri, a Comissão Espanhola de Ajuda ao Refugiado (CEAR) lamentou a tragédia e defendeu que os movimentos migratórios sejam tratados não só com controle das fronteiras, mas com contribuição ao desenvolvimento dos países de emigrantes.
O líder da bancada socialista na Assembléia das Canárias, o Juan Fernando López Aguilar, disse que após a tragédia “há um fundo de desespero infinito em quem decide arriscar a vida e às vezes perdê-la”.
Com a chegada do verão no hemisfério norte, as águas do Atlântico e do Mar Mediterrâneo são cenário de travessias de centenas de pessoas, que embarcam no litoral do Norte da África com o desejo de chegar à Espanha para ficar no país ou seguir rumo em direção ao resto da Europa.