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Contas oficiais da China publicam vídeos de IA satirizando os EUA na guerra no Irã

Os vídeos fazem parte de um movimento observado em contas oficiais de Pequim que utilizam material produzido com inteligência artificial para satirizar os EUA

Redação Jornal de Brasília

28/03/2026 10h04

Foto: Andrew Caballero-Reynolds / AFP

Foto: Andrew Caballero-Reynolds / AFP

VICTORIA DAMASCENO
PEQUIM, CHINA (FOLHAPRESS)

Vídeos gerados por inteligência artificial tirando sarro da atuação dos Estados Unidos e de falas de seus representantes em relação à guerra no Irã vem sendo publicados no perfil oficial da emissora estatal chinesa, CCTV.

Em um deles, compartilhado nesta quinta-feira (26) na conta do veículo no Instagram, um Tio Sam gerado por IA faz referência ao personagem Pinóquio, no qual o nariz cresce a cada fala mentirosa.

Uma das frases ditas pelo personagem é a de que os americanos não foram os responsáveis pelo ataque a uma escola primária na cidade de Minab, no sul do Irã, que causou a morte de ao menos 175 pessoas, a maioria crianças. Quando o personagem diz “nós nunca tocamos naquela escola”, seu nariz começa a crescer.

O Irã acusa os EUA de serem os responsáveis pelo bombardeio que causou a destruição da instituição de ensino, enquanto o governo americano afirma que os autores foram os próprios iranianos em um possível erro de cálculo.

O nariz do personagem segue crescendo quando ele profere frases como “nós aniquilamos o exército deles”, “a guerra está quase completa” e “nós estamos ganhando de lavada”, por exemplo.

Em outra publicação, o Tio Sam aparece em uma espécie de hospício com as vestes sujas e desgastadas no momento de ser avaliado por um médico e uma enfermeira. Quando o profissional de saúde pergunta como ele está se sentindo, o personagem começa a gritar.

“Nós estamos ganhando de lavada! Eles estão implorando por uma negociação! Eles até me querem como seu líder supremo”, afirma em referência ao conflito.

Como resposta, o médico pede à enfermeira que dobre a dose de remédio dada ao paciente.

Os vídeos fazem parte de um movimento observado em contas oficiais de Pequim que utilizam material produzido com inteligência artificial para satirizar os EUA. O perfil da Embaixada da China em Washington, por exemplo, publicou conteúdo semelhante em janeiro utilizando a águia, outro símbolo americano.

Veículos estatais também compartilharam uma série de vídeos do mesmo tipo criticando Washington em razão da guerra comercial.

As publicações, que refletem o posicionamento do regime chinês, contrastam com os pronunciamentos oficiais em que Pequim afirma exercer um papel imparcial na guerra no Irã.

Desde o início do conflito, autoridades do país asiático condenaram o ataque iniciado de forma coordenada por EUA e Israel e pediram o fim das ofensivas.

O Irã é um parceiro estratégico da China e uma das principais rotas para a expansão de seu programa Cinturão e Rota. Há semanas o chanceler Wang Yi tem feito contatos com seus homólogos de outros países para discutir saídas para a guerra.

As publicações também ocorrem às vésperas do encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder do regime chinês, Xi Jinping.

A reunião, que estava previamente agendada para o final de março, foi adiada a pedido de Trump em razão do conflito. Na entrevista coletiva desta sexta-feira (27), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, afirmou que as autoridades dos dois países seguem em contato para tratar do encontro bilateral.

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