Consuelo González de Perdomo, for sale libertada depois de mais de seis anos em poder das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), afirmou hoje em entrevista à Agência Efe que a libertação dos seqüestrados “deve ser uma razão de Estado”.
A ex-refém se mostrou convencida de que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, “vai tomar muito em breve a decisão de encontrar os mecanismos que vão obter a libertação dos seqüestrados”.
Consuelo González, ex-congressista pelo departamento do Huila (sul), foi liberada no dia 10 de janeiro nas selvas do Guaviare, na Colômbia, pelas Farc, que a tinham seqüestrado no dia 10 de setembro de 2001.
A ex-congressista está preocupada com o destino do resto dos seqüestrados, e por isso decidiu lutar com todas as suas “forças”, além de confiar em Uribe, que em sua opinião “tem uma concepção política fundamentada na luta pelo ser humano”, o que transforma a “vida humana em uma razão de Estado, o que faz da libertação uma razão de Estado”.
Segundo as Farc, sua libertação ocorreu como um gesto em direção ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, que durante três meses atuou como mediador para um acordo humanitário entre a guerrilha e Uribe, ação que o governante cancelou no dia 21 de novembro.
Esta suspensão gerou uma tensão entre os Governos de Caracas e Bogotá que aumentou nas últimas semanas, com trocas de acusações verbais e diplomáticas entre os dois lados.
Apesar disso, Consuelo González afirmou que nos poucos momentos em que esteve com Chávez, o governante venezuelano “não comentou nada” sobre suas relações com Uribe.
“A tarefa de Chávez é muito importante, porque sua atitude humana permitiu esta primeira fase de libertações”, afirmou a ex-refém das Farc.
“Eu sei que em ações coordenadas com a Colômbia, como no momento de nossa libertação, as coisas vão ser muito mais efetivas, mais produtivas, e sigo convencida de que as diferenças que existem agora entre os dois presidentes não podem afetar as ações que serão organizadas em torno do acordo humanitário”, disse.
Sobre a possibilidade de voltar ao exercício da política, González ressaltou que por agora está “completamente convencida” de que deve se concentrar no acordo humanitário.
“Farei o que for preciso, e esse é um compromisso que minhas filhas também têm. Nós vamos nos somar às ações organizadas e buscar a libertação dos seqüestrados”, afirmou.
Quanto a sua vida nos acampamentos das Farc, Consuelo González disse que os seqüestrados tinham “poucas oportunidades de falar” com os guerrilheiros.
Consuelo González disse ainda que ficou sabendo de sua libertação em 17 de dezembro, por uma emissora de rádio, mas que apenas no dia 20 do mesmo mês os guerrilheiros lhes disseram que deixariam o acampamento, e em meia hora recolheram suas coisas e iniciaram uma caminhada de 20 dias.
Também não sabiam das provas de sobrevivência para as famílias dos outros seqüestrados, que ao partir “disseram palavras de tranqüilidade para suas famílias”.
A ex-congressista afirmou que só ficou sabendo das provas de vida três dias antes da libertação, mas não as viu, já que o responsável guerrilheiro as entregou diretamente a Ramón Rodríguez Chacín, ministro do Interior do Governo Chávez.
“Agora, quero ficar tranqüila com minhas filhas, com María Juliana (sua neta de dois anos), para desfrutar dos momentos que começamos a viver a partir de 10 de janeiro”, concluiu.