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Conselho de Segurança da ONU avalia operação militar em Hormuz, e Irã alerta contra ‘ação provocativa’

A reunião estava inicialmente prevista para esta sexta-feira. Segundo diplomatas, a votação foi remarcada para sábado (4), já que sexta é feriado na ONU.

Redação Jornal de Brasília

03/04/2026 9h29

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Foto: Pixabay

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O Conselho de Segurança da ONU avalia votar uma resolução proposta pelo Bahrein para permitir o uso da força para proteger a navegação comercial no estreito de Hormuz. A via marítima está bloqueada pelo Irã desde o início da guerra com Estados Unidos e Israel.


A movimentação levou a República Islâmica a alertar o órgão internacional. “Qualquer ação provocadora por parte dos agressores e seus apoiadores, inclusive no Conselho de Segurança da ONU em relação à situação no estreito de Hormuz, só complicará a situação”, afirmou o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, nesta sexta-feira (3).


A reunião estava inicialmente prevista para esta sexta-feira. Segundo diplomatas, a votação foi remarcada para sábado (4), já que sexta é feriado na ONU.


O texto proposto pelo Bahrein, atual presidente do Conselho de Segurança, autorizaria “todos os meios defensivos necessários” em Hormuz para proteger o transporte comercial. A via marítima é a principal rota de navios-tanque de petróleo do mundo.


Bahrein, com apoio de outras nações do Golfo e de Washington, já havia retirado uma referência explícita à aplicação obrigatória da resolução, em uma tentativa de contornar objeções de membros como Rússia e China, que têm poder de veto.


O texto prevê a aplicação das medidas por pelo menos seis meses.


Em declarações ao Conselho de Segurança na manhã de quinta-feira (3), o enviado da China, Fu Cong, se opôs à medida. O embaixador afirmou que o texto “legitimaria o uso ilegal e indiscriminado da força, o que inevitavelmente levaria a uma maior escalada da situação e resultaria em consequências graves”.


Uma resolução do Conselho de Segurança exige pelo menos nove votos favoráveis e nenhum veto dos cinco membros permanentes: Reino Unido, China, França, Rússia e Estados Unidos.


Em paralelo, um navio porta-contêineres da francesa CMA CGM atravessou o estreito, segundo dados da MarineTraffic, em sinal de que o Irã pode não tratar a França como um país hostil.


O Kribi, de bandeira maltesa, fez a travessia em 2 de abril. É o primeiro navio de uma empresa francesa a passar pelo estreito desde o início dos ataques de EUA e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro.


Não está claro como o navio, que segue ao sul pela costa de Omã, obteve autorização para cruzar a área.


No entanto, dados de transporte da LSEG mostraram que, na quinta-feira (2), o navio alterou seu destino para “Owner France” (“Proprietário: França”), sinalizando às autoridades iranianas a nacionalidade de seu proprietário, antes de cruzar as águas territoriais do Irã no estreito. O navio tinha originalmente como destino a República do Congo.


Na quinta-feira, o Reino Unido sediou uma reunião com mais de 40 países sobre esforços para garantir a passagem segura pelo estreito. Na quarta (1º), Japão e França já haviam concordado em coordenar esforços para pressionar pelo fim do conflito e para garantir a reabertura da rota marítima.


Com o conflito no Oriente Médio em sua quinta semana, países enfrentam custos crescentes de energia.

A menos que o estreito de Hormuz seja reaberto, podem ocorrer escassez de derivados de petróleo
Ainda na quarta, o Financial Times relatou que a Casa Branca ameaçou interromper o fornecimento de armas à Ucrânia para pressionar aliados europeus a integrar uma coalizão destinada a reabrir o estreito de Hormuz.


O presidente dos EUA, Donald Trump, exigiu que as marinhas da Otan ajudassem a liberar a passagem em março, mas foi rejeitado pelas capitais europeias, que consideraram arriscado se envolver diretamente no conflito.

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