O Conselho de Segurança da ONU autorizou hoje por unanimidade o envio a Darfur de uma força de paz de 26 mil homens, treat uma ação vista como o primeiro grande passo da comunidade internacional para deter o conflito que devasta essa região do Sudão.
A resolução que autoriza o posicionamento de uma força híbrida das Nações Unidas e da União Africana (UA) foi apresentada por França, Reino Unido e Eslováquia, com o apoio dos Estados Unidos.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou que essa é uma “poderosa mensagem” para “pôr fim a este trágico capítulo na história do Sudão”.
Em discurso, Ban insistiu para que os países interessados contribuam com as tropas. Isso aceleraria os preparativos para a entrada da força de paz no país no final do ano. “Sabemos que isto toma tempo, mas o tempo não está a nosso favor”, disse.
O secretário-geral acrescentou que agora o próximo passo é reforçar o diálogo prometido pela ONU entre o Governo sudanês e as forças rebeldes de Darfur. Este fim de semana está previsto um encontro de ambas as partes na Tanzânia.
Segundo o embaixador dos EUA perante a ONU, Zalmay Khalilzad, os 26 mil homens – entre soldados e civis – que formam a força híbrida constituem a maior missão de paz jamais autorizada pela ONU.
“Esta força conta com o enérgico mandato de proteger a população e pôr em prática os acordos de paz de Darfur”, assinalou.
Khalilzad, de origem afegã, insistiu para que o Sudão coopere com a comunidade internacional nos esforços para alcançar a paz. Ele também advertiu que a Casa Branca está disposta a decretar sanções unilaterais caso o país assuma um papel obstrucionista.
O texto que foi adotado hoje pelo Conselho elimina as referências ao Governo sudanês, atenua o discurso e não contempla a adoção de medidas adicionais.
O conflito na região noroeste do país começou em fevereiro de 2003, quando o Movimento de Libertação do Sudão (MLS) e o Movimento de Justiça e Igualdade (MJI) pegaram em armas para protestar contra a pobreza e a marginalização da região. Desde então, calcula-se que a guerra causou mais de 200 mil mortos e cerca de dois milhões de desabrigados e refugiados.
Atualizada às 19h51