O Conselho de Direitos Humanos (CDH) das Nações Unidas fez hoje uma reunião extraordinária sobre o ataque de Israel à frota de navios que levariam ajuda humanitária à Faixa de Gaza, que matou nove pessoas, e acusou o Estado judeu de ignorar e violar a lei humanitária internacional.
No final da reunião, será votada uma declaração promovida pela Organização da Conferência Islâmica (OCI) e pelo grupo de países árabes que condena o ataque e que solicita o estabelecimento de uma comissão de investigação independente.
A previsão é de que a sessão continue amanhã, dado o extenso número de oradores.
Houve consenso entre a maioria dos grupos regionais ao denunciar que Israel ignora a lei humanitária internacional e defender que “esse comportamento não é aceitável pela comunidade internacional”, disse o embaixador do Egito no CDH, Maged Abdelaziz, que falou em nome do Movimento dos Países Não Alinhados.
“Os fatos de ontem demonstram mais uma vez que Israel acredita que está acima da lei. Isto não é aceitável e não ajuda na busca por novas negociações de paz”, afirmou o embaixador palestino Ibrahim Jraishi, que pediu que Israel “se responsabilize” pelo ocorrido.
“É inaceitável que funcionários humanitários sejam tratados como combatentes”, disse embaixador o turco Ahmet Uzumcu.
“Solicito a este conselho que condene a ação de Israel e que aprove a realização de uma investigação imparcial que demonstre que a comunidade internacional não aceita estes comportamentos”, acrescentou Uzumcu.
A União Europeia (UE), Rússia, Brasil, Nicarágua, México, Indonésia, Nigéria, China, África do Sul, Bangladesh, Venezuela, entre outros, “condenaram” a ação de Israel, e destacaram que o ataque ocorreu em águas internacionais, o que representa uma violação da lei internacional.
“Israel deve liberar os navios e seus tripulantes e, imediatamente levantar o bloqueio a Gaza. A UE não aceita o bloqueio, que é (…) totalmente contraproducente”, disse Javier Garrigues, embaixador da Espanha, país que ocupa a Presidência de turno da UE.
Já a alta comissária adjunta para Direitos Humanos da ONU, Kyung-wha Kang, que discursou em nome de sua superior, Navi Pillay, condenou e questionou o uso da força.
“O Exército israelense fez um desproporcional uso da força, mas o que temos que perguntar é por que a força foi usada para parar uma frota de ajuda humanitária”, disse Kang.
A alta comissária adjunta reiterou que Pillay se une ao pedido feito pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, para que seja realizada uma investigação “imparcial, crível e independente”.
“Israel deve levantar imediatamente o bloqueio (a Gaza), que é exatamente a causa pela qual houve perdas de vida ontem. E deve demonstrar que está comprometido com a lei humanitária internacional”, concluiu Kang.