O Congresso de Honduras rejeitou hoje a restituição de Manuel Zelaya, por 111 votos contra a volta do presidente deposto ao poder e 14 a favor.
Dessa forma, o parlamento ratificou a decisão tomada no dia 28 de junho de destituir Zelaya, que horas antes foi levado por um grupo de militares à Costa Rica.
O resultado, segundo o próprio governante deposto, representa um “delito”, e também foi classificado por ele como “vergonhoso”.
Após uma sessão que durou mais de sete horas, e na qual os deputados anunciavam seus votos por um sistema de som, o Congresso cumpriu hoje a responsabilidade que lhe foi atribuída pelo Acordo Tegucigalpa-San José, assinado em outubro por representantes de Zelaya e do governo de fato, liderado por Roberto Micheletti.
O resultado final superou por larga margem a maioria exigida por lei para que o presidente deposto não voltasse ao cargo – dois terços dos parlamentares.
“O povo hondurenho deve saber que a maioria dos deputados que ratificaram seu delito são cúmplices confessos, que estão de acordo com o sangue derramado por mártires”, disse Zelaya – que permanece na embaixada brasileira em Tegucigalpa – por telefone à Agência Efe.
“O que vai acontecer agora? Continuo na embaixada do Brasil lutando pela condenação da ditadura e agora também contra a fraude eleitoral que aconteceu no domingo. As eleições não representam uma saída para o país”, acrescentou.
Zelaya, para quem o resultado da votação de hoje “é vergonhoso para a nação” afirmou ainda que “o mundo inteiro deve saber que a maioria dos deputados golpistas ratificou o golpe contra o presidente constitucional”.
“Além disso, digo ao povo e à comunidade internacional que minha luta é pacífica e que continuo com meus princípios democráticos”, garantiu.
O presidente deposto afirmou que no Congresso Nacional “havia 24 deputados que desde o princípio rejeitaram o golpe”, e que exigiam sua restituição ao poder, embora na votação de hoje apenas 14 dos 128 parlamentares manifestaram apoio a ele.
Em carta divulgada após a sessão, Zelaya disse que os hondurenhos “conheceram um a um os deputados e deputadas que traíram o Congresso e a democracia no dia 28 de junho (…) e violaram a Constituição”.
Centenas de manifestantes pró Zelaya que durante a manhã de hoje se concentraram próximo ao Congresso deixaram pouco a pouco o local sem tumultos, apesar do forte esquema de segurança em torno do parlamento.