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Mundo

Confusão sobre número de vítimas agrava o caos na Nicarágua

Arquivo Geral

08/09/2007 0h00

 A confusão na contagem de mortos e desaparecidos aprofundou nesta sexta-feira o caos deixado pelo furacão Félix no norte da Nicarágua, buy onde as autoridades admitem que houve 53 mortes, link mas fontes extra-oficiais mencionam pelo menos 100.

O governo relatou que a passagem do furacão deixou, além disso, 105 desaparecidos, 100 mil desabrigados e 8.848 casas destruídas. Mas o presidente nicaragüense, Daniel Ortega, avisou que ainda não é possível avaliar completamente a dimensão da tragédia.

O país ainda discute o aparecimento ou não dos corpos de 52 indígenas misquitos nicaragüenses. Eles faziam parte de um grupo maior cujas embarcações naufragaram na terça-feira, em frente à costa hondurenha. As autoridades dos dois países anunciaram que alguns deles foram encontrados mortos.

O governo de Ortega confirmou na sexta-feira 53 mortes entre os habitantes da Região Autônoma do Atlântico Norte (RAAN). A situação na área foi declarada de “desastre” na quarta-feira, um dia depois de o Félix atacar a Nicarágua, como um furacão de categoria 5, a máxima da escala Safir-Simpson. No entanto, o próprio governo nicaragüense havia dito na quinta-feira que o número de mortos chegava a 64.

A região tem uma população estimada em mais de 300 mil pessoas, ao longo de um extenso litoral rodeado por mangues. A falta de comunicação dificulta ainda mais a tarefa de resgate e coleta de informação, admitiram as autoridades em Manágua.

O desespero, a fome e a incerteza permeiam a RAAN após a passagem destruidora do Félix. A região, cuja capital é a cidade portuária de Puerto Cabezas, está praticamente isolada do resto do país. As principais vias de comunicação e as redes de telefone foram cortadas pelos ventos de 260 km/h.

Também não há luz nem água potável. A maioria dos rios, normalmente utilizados pelos aldeões como meio de transporte, transbordou. Só se pode chegar a Puerto Cabezas de avião ou navio.

Centenas de pessoas se reúnem diariamente no píer da cidade, destruído pelo ciclone, à espera de um resgate ou de notícias de seus parentes desaparecidos. O aeroporto também foi tomado por centenas de pessoas, que correm até os helicópteros e aviões que chegam com ajuda humanitária. Apesar de rápida, a resposta internacional tem se mostrado insuficiente.

O governador da RAAN, Reinaldo Francis, disse que é “pouca” a quantidade de alimentos, remédios e água para a população. “As porções de alimentos que estamos entregando são para três dias, e nada mais”, reconheceu. O número de pessoas afetadas foi calculado oficialmente em mais de 50 mil, e algumas fontes acreditam que possa ser o dobro.

As equipes de avaliação do governo ainda trabalham para verificar a magnitude do desastre em 49 comunidades. Há dificuldades para levar a ajuda internacional aos desabrigados. A União Européia aprovou uma ajuda imediata à Nicarágua de US$ 1,3 milhão. Além disso, estuda a aprovação de assistência adicional, devido à grave situação registrada após a passagem do Félix.

Brasil, El Salvador, Japão, Venezuela, Cuba, Costa Rica, Canadá, México e o Unicef estão entre os países e organizações que ofereceram ajuda à Nicarágua. O porta-aviões americano USS Wasp, que estava em exercícios militares no Panamá, se deslocou à região afetada. Ele conta com um hospital naval com capacidade de 600 leitos, além de uma central de potabilização para 200 mil galões de água e facilidades técnicas para transportar helicópteros e aviões.

A prioridade é “garantir a vida” dos sobreviventes e cobrir as suas necessidades de casas, educação, infra-estruturas e reabilitação psicológica, disseram as autoridades. O Caribe Norte, região tradicionalmente ameaçada por furacões e inundações, apresenta condições de alta vulnerabilidade ambiental, física, social e institucional, com seus baixos índices de desenvolvimento humano.

Alguns sobreviventes alertam para o novo perigo que enfrentam, com as doenças provocadas pelas águas estagnadas e pestilentas. A chefe de gabinete da Prefeitura de Puerto Cabezas, Mirna Taylor, declarou que a cidade está destruída, sob escombros, árvores derrubadas e postes caídos.

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