Menu
Mundo

Conflitos no Iraque e no Afeganistão custarão US$ 3,5 trilhões em 10 anos

Arquivo Geral

13/11/2007 0h00

Um relatório do Comitê Econômico Conjunto americano (JEC, salve na sigla em inglês) – feito por congressistas democratas – afirma que o custo efetivo da Guerra do Iraque será de US$ 2,8 trilhões em 2017 e, se as despesas com o conflito no Afeganistão forem consideradas, chegará a US$ 3,5 trilhões.

O texto mostrou hoje as despesas “ocultas” da Guerra do Iraque que não foram incluídas nas estimativas do Governo. Entre essas despesas, estão os empréstimos pedidos a outros países, os custos de tratamento médico para veteranos de guerra, a alta do preço do petróleo e investimentos que o país poderia ter feito em assuntos de maior necessidade.

O relatório se baseia num cenário relacionado com as declarações recentes do secretário de Defesa, Robert Gates. Segundo Gates, os Estados Unidos não devem se retirar totalmente do Iraque, como fez no Vietnã, mas estabelecer uma presença duradoura como na Coréia do Sul e no Japão.

O estudo contempla a retirada gradual das tropas – no Iraque e no Afeganistão, para que restem 75 mil das atuais 210 mil em 2013. A partir desse ano até 2017, o país assumirá uma presença constante das tropas. Segundo o documento, o custo direto dos dois conflitos chega a US$ 1,7 trilhão.

Se forem considerados os juros, a despesa total aumenta para US$ 2,4 trilhões. No entanto, os democratas calculam que o custo real seria de US$ 3,5 trilhões. Os democratas afirmam no documento que caso o Governo mantenha o nível atual das tropas durante os próximos dez anos, o custo chegará a US$ 4,5 trilhões.

No entanto, se a administração Bush retirar as tropas do Iraque o mais rápido possível, os custos futuros poderão diminuir quase US$ 2 trilhões. Em entrevista coletiva, o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, afirmou hoje que os representantes do seu partido não aprovarão mais fundos para a Guerra do Iraque este ano, até que Bush altere a estratégia e comece a retirar as tropas “agora”.

Tanto Reid como o líder democrata na Câmara de Representantes, Steny Hoyer, disseram que os representantes do partido não desistirão até que Bush mude de opinião e acabe com a guerra. A Câmara dos Deputados votará esta semana um projeto de lei que destinaria US$ 50 bilhões para a Guerra do Iraque – frente aos US$ 196 bilhões pedidos por Bush – apenas para quatro meses.

Além disso, fixará o limite de retirada das tropas para dentro de um ano. Se a Câmara aprovar a lei, o mais provável é que Bush a vete, o mesmo que o presidente americano fez com outra proposta semelhante no começo do ano. O relatório dos democratas também analisa um cenário temporal mais próximo, que compreende os custos “ocultos” das guerras de Iraque e Afeganistão até 2008.

O dinheiro que será gasto neste período chega a US$ 1,6 trilhão. No entanto, o Governo solicitou a metade – US$ 804 bilhões – para financiar os dois conflitos, segundo o estudo. Os democratas calculam que os custos reais são de US$ 1,3 trilhão – apenas do conflito iraquiano. Até o momento, Bush solicitou US$ 607 bilhões ao Congresso, um valor muito inferior.

Isto significa que o custo real é dez vezes maior que o estimado inicialmente pelo Governo. Em 2002, a administração americana afirmou que a Guerra do Iraque custaria provavelmente entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bilhões.

Além disso, os congressistas democratas calculam que a dívida que o Governo americano contraiu com outros países para financiar a Guerra do Iraque chegará a US$ 660 bilhões no próximo ano e a US$ 1,7 trilhão em 2017.

Os democratas afirmam que o dinheiro gasto nos dois conflitos – principalmente no iraquiano – poderia financiar outras políticas prioritárias para os EUA, como infra-estruturas de transporte, defesa das fronteiras, educação, proteção do meio-ambiente e o Programa Estatal de Seguro de Saúde para Crianças (SCHIP, na sigla em inglês), que Bush vetou recentemente.

A porta-voz da Presidência, Dana Perino, chamou hoje as motivações democratas de “óbvias”. Além disso, afirmou que o JEC é um comitê “político e partidário”. Perino acrescentou que achava que o relatório não passa de uma tentativa de tirar a importância de um assunto que teve um desenvolvimento positivo recentemente.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado