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Mundo

Conflito uigur e silêncio sobre massacre marcam aniversário comunista chinês

Arquivo Geral

16/12/2009 0h00

A sangrenta revolta uigur em Urumqi e o 20º aniversário do massacre da Praça da Paz Celestial, lembrado pela comunidade internacional e ignorado por Pequim, obscureceram o ano em que o Governo chinês queria comemorar com perfeição o 60º aniversário do regime comunista.


O aumento da censura na internet e da perseguição aos dissidentes foram as ferramentas que Pequim usou ainda mais em 2009 para apagar qualquer indício de crítica e instabilidade e celebrar com grande pompa seu 60º aniversário, embora não tenha conseguido que tudo saísse como pretendia.


Assim como em 2008, quando a festa olímpica foi manchada pelas revoltas tibetanas e outros incidentes, 2009 foi um ano com um gosto um pouco amargo para Pequim, que, no entanto, continuou aumentando sua projeção internacional, devido a seu importante papel na recuperação econômica mundial e suas elogiadas promessas de luta contra a mudança climática.


O ano de 2009, o Ano do Boi para os chineses, começou com a tentativa de dar fim a um dos escândalos de 2008, o do leite contaminado que atingiu mais de 50 mil crianças, e, em janeiro, dois dos principais acusados eram condenados à morte, sendo executados em novembro.


O mês de março foi cercado de tensão no Tibete, já que os independentistas lembravam o 50º aniversário da revolta que acabou com a fuga do dalai lama.


Tensões similares aconteceram no princípio de junho, quando a comunidade internacional lembrou o 20º aniversário do massacre da Praça da Paz Celestial, em que cerca de 400 estudantes morreram nas mãos do Exército chinês após dois meses pedindo maior liberdade, democracia e melhoras econômicas.


O Governo chinês “lembrou” o massacre com um arrasador silêncio nos meios de comunicação estatais do país, onde a data continua sendo tabu, mas com declarações oficiais diminuindo a importância do fato e argumentando que a China se viu obrigada em 1989 a manter a estabilidade para continuar crescendo economicamente.


No entanto, a verdadeira tragédia aconteceu um mês depois, quando, em 6 de julho, o protesto de uigures como vingança contra um ataque a membros desta etnia originou a morte de cerca de 200 pessoas – a maioria imigrantes da maioria chinesa Han – em Urumqi, capital da região noroeste chinesa de Xinjiang.


O massacre, o pior conflito étnico na China em décadas, colocou no mapa internacional os uigures, muçulmanos ligados aos povos turcos da Ásia Central.


Apesar de tudo, o regime comunista conseguiu dar um ar festivo às celebrações pelo 60° aniversário da República Popular, em 1º de outubro, coroadas com um desfile militar na Praça da Paz Celestial, que, com ares maoístas, grande colorido e armamento ultramoderno, insuflou orgulho nacionalista dos chineses.


O ano foi de muitas outras manchetes sobre a China, que também chamou a atenção mundial por sua luta contra o vírus da gripe A, sendo um dos países que mais realizaram quarentenas e isolamentos de pacientes.


Os chineses também se lembrarão de 2009 pelo eclipse mais longo do século, que escureceu Xangai e arredores no dia 22 de julho, ou pela primeira visita ao país do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, em novembro.


 

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