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Mundo

Conflito em Gaza caminha para ser o mais mal contado da história

Arquivo Geral

06/01/2009 0h00

A invasão americana e britânica ao Iraque, case em 2003, passou aos anais como a guerra mais bem contada da história pela forte presença da imprensa estrangeira em Bagdá durante os 21 dias que a capital iraquiana demorou para cair.

Mais de cinco anos depois, a ofensiva israelense em Gaza caminha para se transformar no conflito mais mal contado dos últimos anos, pois, nos dez primeiros dias, Israel não permitiu a entrada de nenhum jornalista no território palestino.

Há um mês e meio, o Governo israelense restringiu o acesso de repórteres à Faixa, e a Associação de Imprensa Estrangeira de Israel e dos Territórios Palestinos (AFP) iniciou uma batalha legal contra a medida, a qual foi vencida, mas cuja resolução ainda precisa ser executada.

Paralelamente às gestões diplomáticas de várias chancelarias de países ocidentais, a AFP apresentou um recurso que a Justiça respondeu dando um “prazo de reflexão” ao Estado Judeu, algo que não impediu que, enquanto isso, a Faixa fosse fechada à imprensa.

Após o início da ofensiva, a Corte Suprema acabou por dar um ultimato ao Governo e, na semana passada, obrigou o país a permitir que um grupo de correspondentes entrasse em Gaza e compartilhasse com os outros jornalistas as informações recebidas, o que é conhecido como “pool”.

A proposta inicial era de que o grupo fosse formado por 12 repórteres, mas as autoridades israelenses impuseram novas condições: somente oito entrariam na região. Dois seriam escolhidos a dedo, enquanto os outros seis seriam apontados pela AFP.

E foi aí que teve início a desordem dentro da associação.

A direção da AFP decidiu que os membros que quisessem colocariam o nome em uma lista, para posteriormente serem escolhidos, mas o número de inscrições disparou simultaneamente às pressões para fazer parte do pool.

“Recebi todo tipo de protestos, inclusive ameaças”, assegura a secretária executiva da AFP, Glenys Sugarman.

A situação degenerou até que a televisão britânica “ITN” ameaçou levar o assunto aos tribunais se a formação do pool não fosse decidida na sorte, o que convenceu a direção da AFP da necessidade de fazer um sorteio.

Mais de 200 interessados participaram no domingo desse sorteio, que ocorreu na presença de dois advogados, embora os nomes dos escolhidos ao acaso só pudessem ser divulgados quando estes estivessem no cenário do conflito. E isso ainda não tinha ocorrido na segunda-feira.

Segundo o vice-presidente da AFP, Daniel Blumenthal, o acordo com as autoridades israelenses implica em que entrarão em Gaza “conforme as regulações do Exército, ou seja, só quando as Forças Armadas abrirem as passagens” fronteiriças com a Faixa. E o dia em que isso ocorrerá continua sendo uma incógnita.

Blumenthal também explicou que não acredita que o pool permaneça em Gaza “mais de seis horas, porque quando o Exército abre os cruzamentos, de manhã, os fecha à tarde, e não creio que seja permitido aos jornalistas pernoitar” no território palestino.

À espera de entrar no corrente ou no próximo pool – acredita-se que, após o primeiro, haverá outros -, os membros da AFP cobrem o conflito em Jerusalém ou de cidades próximas à Faixa.

Nessas localidades – Ashkelon, Ashdod, Sderot-, reuniram-se dezenas de enviados especiais dos quatro pontos do mundo e que não escondem também sua frustração.

Alguns viajaram ao Egito para tentar entrar em Gaza pela passagem de Rafah, mas sem grande sorte, porque as autoridades egípcias bloquearam o posto fronteiriço.

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