O forte protesto agropecuário na Argentina, more about que amanhã completará dois meses, começou a dividir opiniões no governante Partido Justicialista (peronista) e se transferiu ao Parlamento, onde a oposição se uniu em favor do campo.
As manifestações de agricultores e criadores de gado se multiplicaram hoje em onze das 23 províncias argentinas, entre elas as de Buenos Aires, Córdoba e Santa Fé, que concentram cerca de 80% da produção de laticínios, gado e grãos do país.
O conflito passou dos motivos econômicos a uma disputa política na qual o campo pôs um freio nas exportações de grãos avaliadas em bilhões de dólares e o Governo da presidente Cristina Fernández de Kirchner mantém uma posição intransigente, segundo analistas e especialistas.
Os dirigentes agropecuários conseguiram envolver no assunto governadores provinciais, entre eles vários peronistas ou aliados do casal Kirchner, além de receber o apoio de prefeitos e deputados governistas e de toda a oposição.
“Há uma grande oportunidade da Argentina para vender os alimentos que o mundo pede sem afetar o consumo interno: isto se resolveria em uma semana” se não fosse pela taxativa posição do Governo, sustentou hoje o economista argentino Claudio Loser.
Enquanto isso, o líder da Federação Agrária, Eduardo Buzzi, afirmou que “seria possível criar um fundo para garantir um leque alimentar básico e exportar o resto” em vez de aumentar os impostos para assegurar o fornecimento interno e impedir altas de preços dos alimentos, como aponta a política oficial.
Entre os que criticam a dureza da presidente e sustentam que responde ao mandato de seu antecessor, seu marido, Néstor Kirchner (2003-2007), há aqueles que prevêem que o Governo não encontra uma forma de retroceder em sua intransigência.
O vice-presidente argentino, Julio Cobos, ressaltou hoje aos jornalistas que o Governo “já fez uma autocrítica” ao demitir o responsável da polêmica política impositiva, Martín Lousteau, que renunciou como ministro da Economia em 24 de abril.
Cobos insistiu em que o Governo “tem que defender o interesse de todos os argentinos” e “não fechou as portas ao diálogo”, mas reiterou que é preciso que o setor agropecuário levante a greve como condição para retomar as negociações.