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Mundo

Conferência Episcopal confirma morte de criança na Bolívia

Arquivo Geral

26/09/2011 16h41

A Conferência Episcopal da Bolívia confirmou, nesta segunda-feira (26), a morte de uma criança na violenta repressão policial a uma manifestação de indígenas no domingo, que protestavam contra uma estrada que atravessará uma reserva natural.

Em comunicado, os bispos lamentaram a “morte de outra criança, o número de feridos, a situação dos que estiveram detidos e o paradeiro dos desaparecidos”.

A Conferência Episcopal pediu ao Governo que garanta os direitos dessas pessoas, mas ministros negaram que tenham registrado mortos e desaparecidos.

A morte da criança estava em dúvida, porque inicialmente tinha sido denunciada apenas por fontes próximas aos indígenas, que não deram detalhes claros, e tinha sido negada pela Polícia e pelo ministro de Governo, Sacha Llorenti. Entretanto, uma fonte da Igreja disse à agência Efe que a morte foi confirmada.

É o terceiro menor que perde a vida durante a manifestação, porque também morreu um adolescente ao cair de uma caminhonete e um bebê de oito meses que sofreu uma infecção estomacal.

Além disso, um dirigente da etnia chiquitana do sudeste boliviano, Eddy Martínez, morreu em um acidente de avião quando viajava para a Amazônia para se unir à manifestação.

Além disso, a Conferência Episcopal lamentou que o Governo Morales “tenha recorrido à violência, renunciando ao diálogo como caminho de soluções pacíficas e acordadas”.

Nesta segunda-feira, a repressão violenta da manifestação causou a renúncia da ministra da Defesa, Cecilia Chacón, por não compartilhar dos métodos do Governo, além de várias manifestações, bloqueios de vias, greves de fome e novos protestos em toda Bolívia.

As etnias amazônicas bolivianas não concordam que a estrada passe pelo meio do Território Indígena Parque Nacional Isiboro Sécure (Tipnis), reserva natural de 1,2 milhões de hectares.

Os indígenas temem que a reserva seja destruída por madeireiros e produtores de coca, planta base para fabricar cocaína.

Os bispos condenam a repressão do protesto, porque de acordo com relatórios de seus agentes pastorais, a Polícia agiu quando os indígenas se encontram desprotegidos, opinião compartilhada também pela Defensoria Pública.

Além disso, os bispos exigem que Morales “renuncie ao caminho da repressão, perseguição e violência, que não soluciona os problemas, e demonstre, com ações coerentes, o discurso de escutar e defender os direitos dos bolivianos, especialmente das pessoas mais pobres e vulneráveis”.

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