A complementação de acordos na área de energia elétrica é um dos principais assuntos que traz ao Brasil o presidente do Uruguai, José Mujica. “El Pepe”, como José Mujica gosta de ser chamado em seu país, encontra-se no começo da noite de hoje (29) com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, enquanto a comitiva técnica que o acompanha tratará dos negócios bilaterais.
A energia elétrica foi um dos primeiros temas a ocupar a agenda de Mujica após sua posse no dia 1º de março deste ano. Tanto é assim que já no dia 16 de março a Eletrobrás e a estatal uruguaia Administración Nacional de Usinas y Transmisiones Eléctricas (UTE) assinaram contrato para construção de obras de interligação entre os países, trabalho que avançará até 2012, de acordo com avaliação do ministro uruguaio da Indústria, Roberto Kreimerman.
O projeto envolve a construção de uma subestação de 500/230KV em Candiota (RS); uma linha de transmissão em 500 quilovolts (KV) com 60 quilômetros (km) de extensão até a fronteira com o Uruguai; e outra linha em 230 KV com 9 km, que será conectada à subestação Presidente Médici, da Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul (CEEE). A Eletrosul coordenará a implantação da subestação e das linhas de transmissão. A empresa também será a responsável pela operação e manutenção das instalações.
A interconexão elétrica Brasil/Uruguai requer investimentos que serão divididos entre os dois países. O Uruguai captará parte do dinheiro no Fundo para a Convergência Estrutural e Fortalecimento Institucional do Mercosul (Focem), criado exatamente para iniciativas de estímulo econômico entre os países integrantes do bloco econômico regional, composto ainda pela Argentina e pelo Paraguai.
Estima-se que o Uruguai investirá cerca de US$ 120 milhões na primeira etapa das obras e US$ 135 milhões, na segunda. O projeto contará com empréstimos obtidos na Corporação Andina de Fomento e no Citibank, além de recursos próprios da empresa estatal de energia. A Eletrobrás investirá US$ 75 milhões. Em troca, o Uruguai pagará imposto fixo mensal durante 30 anos, como amortização ao investimento da estatal brasileira.
O governo uruguaio considera que esta interconexão elétrica com o Brasil é fundamental para o futuro do desenvolvimento energético do país vizinho. O investimento nas obras Brasil/Uruguai integra o plano de internacionalização da Eletrobrás. A empresa avalia, ainda, empreendimentos de geração de energia elétrica no Peru, na Nicarágua, na Argentina e na Costa Rica, entre outros países.