A secretária de Estado americana, case Condoleezza Rice, view afirmou hoje que para haver sucesso na conferência de paz do Oriente Médio proposta pelos Estados Unidos, todos os países da região deverão se envolver no processo.
Em entrevista coletiva com o ministro de Assuntos Exteriores egípcio, Ahmed Aboul Gheit, Condoleezza expressou seu desejo de que a conferência, prevista para setembro, seja uma “oportunidade real”, que traga a estabilidade não só para Israel, mas para toda a região.
Com o objetivo de iniciar os preparativos para a reunião e estabelecer uma agenda para o debate, Condoleezza e o secretário de Defesa americano, Robert Gates, reuniram-se hoje na cidade turística egípcia de Sharm el-Sheikh com os principais aliados árabes dos EUA. A reunião terminou sem nenhum compromisso concreto, embora a secretária a tenha qualificado de “frutífera”.
Condoleezza disse que seu país não quer organizar uma reunião para solucionar o conflito entre Israel e os palestinos “a menos que haja um compromisso de todas as partes, para fixar bases visando a um progresso real a partir de hoje”. O processo levaria, então, à criação de um Estado palestino viável.
Participaram da reunião de Sharm el-Sheikh os ministros de Assuntos Exteriores da Jordânia, Abdel Ilah al-Khatib, e do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG), integrado por Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita, Barein, Omã, Catar e Kuwait.
Gheit manifestou confiança na criação de um único Estado palestino, apesar de os palestinos estarem “divididos”, uma cisão que o ministro egípcio disse ser “temporária”.
No encontro de hoje, falou-se também do conflito político no Líbano, da ameaça do terrorismo nos países árabes e da situação no Iraque. “Se não forem abordados todos os desafios, não vamos resolver nada, por isso a agenda que temos é muito extensa”, afirmou Condoleezza.
Ela disse, ainda, acreditar em uma melhora no quadro da violência no Iraque. “Como esperamos que a situação de segurança melhore, os iraquianos terão um espaço para iniciar a conciliação (nacional)”.
“Libertamos o povo iraquiano de um ditador terrível e agora o estamos ajudando a ter um Governo estável e democrático”, disse.
A visita de Condoleeza Rice e Robert Gates, que não fez declarações, acontece um dia depois que os EUA anunciaram um acordo de ajuda militar com o Egito, no valor de US$ 13 bilhões. Outro foi assinado com Israel, envolvendo US$ 30 bilhões, e um terceiro está sendo negociado com os países do Golfo Pérsico.
A secretária americana minimizou a importância dos acordos, ressaltando a “determinação dos EUA de assegurar a seus aliados uma proteção na luta contra o terrorismo”. Ela afirmou que as ajudas estão relacionadas ao desejo de seu país de combinar “intensos movimentos diplomáticos” na região com o “apoio a seus aliados para defesa”.
Após a reunião com os ministros, Condoleeza encontrou também o presidente egípcio, Hosni Mubarak, mas eles não deram declarações à imprensa. O encontro de hoje em Sharm el-Sheikh foi rodeado por intensos movimentos diplomáticos na região, após o anúncio de Bush, no dia 16 de julho, sobre a realização de uma conferência de paz para o Oriente Médio. Devem comparecer à reunião Israel, os palestinos e vários Estados árabes.
Depois do encontro na cidade egípcia, Condoleezza Rice e Robert Gates direcionarão seus esforços diplomáticos à Arábia Saudita.
Em seguida, a secretária viajará a Jerusalém e Ramala para conversar com as autoridades israelenses e palestinas, antes de retornar a Washington, na quinta-feira.