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Mundo

Condenação de religioso foi "decisão histórica", diz Governo argentino

Arquivo Geral

09/10/2007 0h00

O Governo da Argentina e organizações de direitos humanos destacaram a “decisão histórica” que condenou à prisão perpétua hoje o sacerdote católico Christian Von Wernich, viagra sale o primeiro religioso sentenciado por crimes de lesa-humanidade cometidos durante a última ditadura militar no país.

O secretário de Direitos Humanos da Argentina, Eduardo Luis Duhalde, considerou que se trata de “uma decisão histórica” e disse que agora espera “que todos os responsáveis” por crimes cometidos durante o regime sejam punidos.

O secretário de Política Criminal e Assuntos Penitenciários da Argentina, Alejandro Slokar, declarou que a de hoje é a segunda decisão condenatória emitida por um tribunal do país por “delito de lesa-humanidade no marco do genocídio” perpetrado entre 1976 e 1983 no território argentino.

Christian Von Wernich, ex-capelão da Polícia da província de Buenos Aires, de 68 anos, foi condenado à prisão perpétua por participar de sete homicídios qualificados, 31 casos de tortura e 42 de privações ilegais de liberdade.

Às portas do tribunal da cidade de La Plata (60 quilômetros ao sul de Buenos Aires), onde foi realizado o julgamento, Mabel “Tati” Almeida, da organização Mães da Praça de Maio-Linha Fundadora, disse, entre lágrimas, estar “muito satisfeita” com a sentença.

Destacou o fato de o tribunal ter condenado Von Wernich pelo assassinato de María del Carmen Morettini.

“É algo muito forte, histórico e faz-se justiça após 30 anos. É hora de a Igreja se pronunciar, já que jamais o fez”, enfatizou Mabel.

A advogada Miriam Bregman, representante da organização “Justiça Já” – querelante no julgamento -, assegurou que ficou “provado que Von Wernich foi uma peça-chave do genocídio e que atuava nos centros de repressão”.

“Tínhamos de ganhar a batalha. Conseguimos mostrar a verdade e queremos seguir brigando para que se reconheça que são genocidas e que se merecem a prisão”, disse.

Bregman, que representa familiares das vítimas e organizações de direitos humanos, afirmou que agora trabalhará para que o ex-capelão “não obtenha privilégios” na hora de cumprir com sua pena, em um centro penitenciário da província de Buenos Aires.

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