A comunidade internacional reiterou nesta terça-feira seu apoio à Líbia em um encontro à margem da Assembleia Geral da ONU no qual o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, saudou o “novo capítulo” na história desse país.
A reunião do Grupo de Amigos da Líbia, para examinar o futuro após a queda do regime do coronel Muammar Kadafi, foi aberta com uma breve cerimônia na qual o líder do Conselho Nacional de Transição (CNT), Mustafa Abdul Khalil, entregou à ONU a nova bandeira de seu país.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirmou, ao receber a nova bandeira, que foi colocada junto à das Nações Unidas, que “para a Líbia, este é um dia histórico”.
Previamente Khalil tinha se reunido com o presidente americano, que havia o advertido que “não há lugar para extremismo” na nova Líbia.
Em seu discurso perante os representantes de quase 70 países e organismos internacionais, Khalil disse que o CNT está decidido a respeitar os princípios democráticos e garantiu que os dirigentes do antigo regime presos receberão um julgamento justo.
O líder do CNT agradeceu a ajuda da ONU e dos países aliados, que, segundo disse, “foi crucial” para encarar a tremenda superioridade das forças que Kadafi dirigiu contra seu povo.
“Perdemos 25 mil mártires e sofremos o dobro de feridos”, ressaltou.
Por sua parte, o presidente Obama assegurou em seu discurso que o futuro da Líbia está agora “nas mãos do povo” desse país e que embora ainda restem “dias difíceis pela frente”, o CNT vai contar com o apoio do mundo “em sua luta para conseguir a paz e a prosperidade que a liberdade pode trazer”.
Obama aproveitou também para destacar o sucesso do que considera que deve ser o padrão de comportamento da comunidade internacional perante os desafios do século XXI.
A intervenção internacional na Líbia, acrescentou, “demonstra como a comunidade internacional deveria funcionar no século XXI: mais países que aceitem a responsabilidade e os custos de fazer frente aos desafios globais”.
A resolução da ONU que estabelecia um mandato para proteger os civis na Líbia, que permitiu por sua vez a intervenção militar aliada, “foi correta”, considerou Obama, em referência às críticas àquela decisão.
“Perseguem-nos para sempre as atrocidades que não impedimos e as vidas que não salvamos. Mas desta vez foi diferente. Desta vez nós, as Nações Unidas, encontramos a coragem e a vontade coletiva para atuar”, declarou.
Segundo afirmou, ao expressar seu apoio à nova Líbia, a missão da Otan continuará “enquanto o povo líbio continuar ameaçado”.
Com Kadafi em paradeiro desconhecido, continuam os combates nos enclaves ainda em poder do antigo regime, como Bani Walid.
O presidente americano revelou que o embaixador dos EUA em Trípoli, Gene Cretz, viajou nesta terça-feira para se reincorporar à sua antiga delegação, fechada desde o início do levante contra Kadafi há sete meses.
Obama projetou um futuro para a Líbia no qual o objetivo será uma “transição democrática pacífica, inclusiva e justa”, na qual sejam estabelecidos partidos políticos, uma Constituição que sustente o Estado de Direito, uma sociedade civil forte e eleições livres e imparciais pela primeira vez na história do país.
A comunidade internacional cooperará também para conseguir a prosperidade líbia e, após levantar as sanções impostas ao regime de Kadafi, os EUA estabelecerão “novas alianças para conseguir o potencial” econômico do país, prometeu.
“Povo da Líbia, esta é sua oportunidade. E o que o mundo diz hoje, em uma voz inconfundível, é que apoiaremos sua busca pela liberdade, dignidade e oportunidade que merecem”, concluiu.
O presidente francês, Nicolas Sarkozy, que também participou da reunião, destacou que a comunidade internacional apoiará os países árabes que se levantem a favor da democracia.
As sociedades árabes, disse, se movimentam rumo à liberdade e seus cidadãos “condenariam nossa imobilidade” se não receberem apoio internacional.
“A reunião do Grupo de Amigos da Líbia proporcionou ao CNT uma legitimidade internacional ampla e é também a primeira que acontece desde que foi aprovada a resolução 2009, com a nova missão de ajuda à Líbia”, afirmou a ministra de Relações Exteriores da Espanha, Trinidad Jiménez, durante encontro com a imprensa após o encontro.