Giulia Peruzzo
Folhapress
No início deste mês, as autoridades de saúde dos Estados Unidos diminuíram o número de vacinas recomendadas para crianças de 17 para 11. A decisão parece não ter impacto direto no Brasil, mas especialistas alertam que a mensagem que a ação deixa pode ter.
A partir deste ano, a hepatite A e B, influenza, meningite, rotavírus e vírus sincicial respiratório deixam de ser suas vacinas recomendadas pelos CDC (Centros de Controle de Doenças). Na prática, o órgão federal deixar de recomendar as vacinas não deveria interferir na disponibilidade delas para a população.
A secretaria de saúde americana afirmou que, durante o ano de 2026, os planos de saúde continuarão cobrindo as vacinas que eram recomendadas no calendário do ano anterior para quem quiser tomá-las.
Esse cenário seria diferente no Brasil, por exemplo, já que a recomendação do Ministério da Saúde significa a disponibilidade gratuita para toda a população, explica o infectologista José Cerbino.
Por outro lado, o significado simbólico do governo americano não recomendar a vacina para todos pode impactar na aceitação dos imunizantes. “O que estamos preocupados é com a adesão e confiança na vacina”, diz o médico.
O órgão de saúde americano afirma que as vacinas retiradas do calendário de vacinação regular seguem recomendadas para crianças em grupos de risco e devem ser discutidas com o profissional de saúde responsável.
A prática, chamada de decisão compartilhada, é ótima em teoria, diz Patrícia Vanderborght, doutora em Biologia Molecular e Genética Humana pela Fiocruz e responsável pelo setor de Imunização Humana da Rede D’Or, mas não tanto na prática.
“Quando se transfere a responsabilidade da recomendação para o indivíduo, muitos acabam optando por não se vacinar simplesmente por medo ou dúvida, não por convicção”, diz.
O secretário de saúde dos EUA, Robert F. Kennedy Jr., é associado a declarações antivacina desde antes de assumir o cargo, no início do segundo mandato de Donald Trump. Sob sua administração, o Comitê Consultivo sobre Práticas de Imunização (ACIP, na sigla em inglês) foi dissolvido, além de ter afirmado que as vacinas têm relação com o autismo.