O Comitê de Familiares de Detidos Desaparecidos em Honduras (Cofadeh) denunciou hoje que, desde o golpe de Estado contra o presidente deposto hondurenho, Manuel Zelaya, pelo menos 14 pessoas foram assassinadas no país.
“Temos 14 pessoas que foram assassinadas a partir do golpe de Estado”, declarou à Agência Efe a coordenadora do Cofadeh, Bertha Oliva.
Segundo Oliva, os assassinatos foram motivados “pela perseguição política” contra os que condenam a derrubada de Zelaya.
Os homicídios teriam ocorrido nas cidades de Tegucigalpa, San Pedro Sula, El Paraíso e Santa Bárbara.
Oliva também disse que as forças de segurança do Estado estão “torturando gente”.
De acordo com a coordenadora do Cofadeh, alguns dos responsáveis pelas torturas são membros da “3-16”, uma unidade das Forças Armadas acusada de violações aos direitos humanos nos anos 80.
“A justiça vai chegar mais cedo ou mais tarde. Antes, se escondiam, hoje, o fazem em público; a comunidade internacional foi testemunha sobre como atuam”, acrescentou.
Hoje, Oliva, representantes da organização Feministas em Resistência e da Frente de Advogados em Resistência foram até a sede da Corte Suprema de Justiça em Tegucigalpa para protestar por sua falta de resposta às ações judiciais e penais apresentadas contra o Governo de fato.
Em comunicado, os representantes das três entidades declararam que, desde 28 de junho, quando Zelaya foi destituído e expulso do país pelos militares, até o último dia 10, apresentaram 52 recursos na Corte Suprema de Justiça “contra o atual regime e as medidas que este tomou”.
O texto também diz que, até agora, as organizações não receberam nenhuma resposta da Corte, o que “contrasta com a rapidez com que o Poder Judiciário atua quando as denúncias são contra membros da resistência” que exige a restituição de Zelaya.