O presidente da Comissão Nacional para a Reparação e Reconciliação na Colômbia, page Eduardo Pizarro, look acredita que as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) poderiam soltar um grupo de reféns “nas próximas semanas” como prova de reafirmação de poder interno do novo líder da guerrilha, “Alfonso Cano”.
“Não sei qual será o nível dos reféns, mas é sua única opção, também como um gesto em direção à opinião pública”, afirmou em entrevista à Agência Efe Pizarro após se reunir com diferentes autoridades da União Européia (UE).
O papel de Cano à frente das Farc, disse Pizarro, deve se consolidar antes de dar uma sensação de “barco à deriva”, já que sequer chegou a emitir uma mensagem pública desde que seu antecessor, Pedro Antonio Marín, conhecido como “Tirofijo” ou “Marulanda”, morreu em decorrência de um infarto em março.
Segundo o sociólogo, a orientação mais política dos novos dirigentes, somada à decadência militar das Farc e à progressiva desmobilização (nove guerrilheiros abandonam o grupo por dia), pode conduzir à saída negociada do conflito.
Até agora, as Farc, disse, não tinham tido essa vontade, pois esperavam que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, muito duro com a guerrilha, não fosse reeleito, e por terem achado que a proliferação de Governos de esquerda na América Latina ajudaria a sua causa.
No entanto, segundo Pizarro, apenas encontraram o “apoio” do Executivo venezuelano, que considerava a guerrilha “um aliado potencial para a extensão da causa bolivariana”.
Mas, para o especialista, “há um antes e um depois” da descoberta do computador de “Raúl Reyes”, dirigente morto durante uma incursão militar colombiana em território equatoriano, que provocou uma crise diplomática.
No computador de Reyes foi encontrada informação que “colocou o Governo da Venezuela em risco de ser incluído na lista de grupos que apóiam organizações terroristas”, afirmou Pizarro.
Neste contexto, acrescentou que “se as Farc anunciarem hoje que estão dispostas a negociar, encontrariam a melhor disposição do Governo, sempre que não pretendam se instalar em um território”.
Para Pizarro, qualquer diálogo entre as partes deveria ocorrer fora do país.
Além disso, para o especialista, “não é viável uma saída negociada” à situação sem a mediação internacional de um “interlocutor poderoso”, como a ONU.
“Todas as experiências bem-sucedidas em processos de paz tiveram como palcos terceiros países. A Colômbia precisa urgentemente de um Camp David”, disse, em referência aos acordos entre israelenses e palestinos assinados nesta zona dos Estados Unidos.