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Começa julgamento de anestesista acusado de envenenar 30 pacientes na França

Frédéric Péchier nega responsabilidade e afirma inocência; promotor classifica caso como “sem precedentes” na história jurídica da França, com veredicto previsto para 19 de dezembro

Redação Jornal de Brasília

08/09/2025 16h51

Foto: AFP

Foto: AFP

Um anestesista compareceu a um tribunal na França, nesta segunda-feira (8), pela acusação de envenenar intencionalmente 30 pacientes, dos quais 12 morreram, e afirmou que não é responsável pelo “sofrimento” dos denunciantes e das famílias dos mortos.

Frédéric Péchier, de 53 anos, trabalhou como anestesista em duas clínicas em Besançon, no leste da França, quando os pacientes sofreram paradas cardíacas em circunstâncias suspeitas entre 2008 e 2017.

Doze pacientes, entre 4 e 89 anos, não sobreviveram. Péchier é acusado de provocar tais paradas cardíacas para demonstrar suas habilidades de reanimação e desacreditar seus colegas.

“Nunca envenenei ninguém. Sou inocente”, declarou o homem, tenso, mas firme, no primeiro dia do julgamento em um tribunal de Besançon.

Em uma entrevista à rádio RTL, o acusado disse que tem “argumentos fortes” para defender sua inocência e garantiu que não era “responsável” pelo “sofrimento” de suas supostas vítimas e famílias.

Pai de três filhos, Péchier pode pegar a prisão perpétua, embora se apresente em liberdade com medidas de controle judicial. O veredicto é esperado para 19 de dezembro, ao fim do julgamento.

O processo acontece meses após a condenação a 20 anos de prisão do ex-cirurgião Joël Le Scouarnec por agredir sexualmente ou estuprar quase 300 pacientes, a maioria crianças, entre 1989 e 2014.

– 17 anos de espera –

O anestesista não atuava na área desde 2017, embora em 2023 tenha sido autorizado a trabalhar caso não entrasse em contato com pacientes.

“Esperei isso por 17 anos”, disse Amandine Iehlen, cujo pai de 53 anos morreu de parada cardíaca durante uma cirurgia renal em 2008. Uma autópsia revelou uma overdose de lidocaína, um anestésico local.

Para o promotor Étienne Manteaux, é um caso “sem precedentes na história jurídica francesa”.

A investigação começou em 2017, depois que uma mulher de 36 anos sofreu uma parada cardíaca durante uma operação. As suspeitas recaíram rapidamente no acusado.

Dos 70 relatórios médicos examinados, chegam a julgamento os casos de 30 pacientes que sofreram paradas cardíacas durante operações na Clínica Saint-Vincent e na Policlínica Franche-Comté.

Os investigadores suspeitam que Péchier manipulou bolsas de anestesia e de seus colegas para criar emergências na sala de cirurgia, nas quais pudesse intervir e exibir seus supostos talentos de reanimação.

“Ele é acusado de envenenar pacientes saudáveis para prejudicar colegas com os quais tinha conflitos”, disse Manteaux. “Péchier era o primeiro a responder quando ocorria uma parada cardíaca”, acrescentou.

O acusado defende que a maioria dos envenenamentos foi resultado de “erros médicos” de seus colegas.

– “Maratona judicial” –

Alguns de seus colegas o descreveram como um “anestesista renomado”, enquanto outros disseram que parecia arrogante e manipulador. Um colega de trabalho afirmou que Péchier “acreditava ser o Zorro”.

“Não cabe a Frédéric Péchier provar sua inocência. É o Ministério Público, a acusação, que deve provar sua culpabilidade”, declarou à imprensa seu advogado, Randall Schwerdorffer, que pedirá a absolvição de seu cliente.

Durante as duas primeiras semanas, o tribunal examinará os casos mais recentes, aqueles que despertaram as suspeitas dos investigadores e, em seguida, o restante dos envenenamentos.

“Será uma maratona judicial, mas estamos prontos”, disse à AFP Stéphane Giuranna, advogado de várias vítimas. “Todos os caminhos levam a Péchier”, acrescentou.

© Agence France-Presse

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