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Coalizão de Sanae Takaichi obtém vitória histórica na eleição japonesa

A primeira-ministra conquista maioria qualificada no Parlamento, impulsionando agenda de cortes de impostos e aumento nos gastos militares em meio a tensões com a China.

Redação Jornal de Brasília

09/02/2026 9h12

Foto: Reprodução/AFP

Foto: Reprodução/AFP

A coalizão liderada pela primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi obteve uma vitória eleitoral histórica neste domingo (8), conquistando 328 das 465 cadeiras na Câmara Baixa do Parlamento. Essa maioria qualificada de dois terços facilita a aprovação de sua agenda legislativa, permitindo desconsiderar a Câmara Alta, que não está sob seu controle.

O Partido Liberal Democrático (PLD), comandado por Takaichi, ultrapassou sozinho os 233 assentos necessários para a maioria, em um dos melhores resultados de sua história. Junto ao parceiro de coalizão, o Partido da Inovação do Japão (Ishin), a vitória reforça a estabilidade política após perdas anteriores sob o antecessor Shigeru Ishiba.

Takaichi, de 64 anos e a primeira mulher a liderar o Japão, convocou uma rara eleição antecipada de inverno para capitalizar sua popularidade, especialmente entre os eleitores mais jovens. Inspirada na ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher, ela atraiu apoio com sua imagem de franqueza e dedicação, gerando até uma ‘Sanae-mania’ com produtos como bolsas e canetas rosa em alta demanda.

Apesar das nevascas recordes que dificultaram o acesso às urnas e fecharam algumas seções eleitorais mais cedo, os japoneses compareceram para votar. Um eleitor de Niigata, o professor Kazushige Cho, expressou otimismo, dizendo que Takaichi está criando um senso de direção para o país.

A vitória abre caminho para promessas como a suspensão do imposto de 8% sobre vendas de alimentos, visando aliviar o impacto da inflação nas famílias. No entanto, o plano gerou preocupações nos mercados financeiros, dada a alta dívida do Japão, com analistas questionando a sustentabilidade fiscal. Takaichi afirmou que acelerará a análise da redução do imposto, priorizando a estabilidade econômica.

A agenda também inclui aumento nos gastos militares para fortalecer a segurança nacional, em resposta a tensões com a China. Semanas após assumir o cargo, Takaichi delineou respostas a um possível ataque chinês a Taiwan, provocando retaliações de Pequim, como alertas contra viagens ao Japão. O ministro da Defesa, Shinjiro Koizumi, defendeu o reforço defensivo enquanto busca diálogo com a China.

Internacionalmente, o presidente dos EUA, Donald Trump, deu apoio total a Takaichi e a receberá na Casa Branca no próximo mês. O presidente de Taiwan, Lai Ching-te, parabenizou a vitória, esperando prosperidade e segurança regional. Já Pequim avalia o resultado com cautela, vendo fracasso em seus esforços para isolá-la.

O chefe do Keidanren, Yoshinobu Tsutsui, saudou o mandato como restauração da estabilidade, crucial para o crescimento sustentável da economia japonesa.

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