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Mundo

Clima e problemas estruturais deixam América Latina no escuro

Arquivo Geral

11/11/2009 0h00


O apagão vivido na noite desta terça-feira em 18 estados brasileiros e no Paraguai é apenas um dos acontecimentos que apontam para os problemas do setor energético na América Latina.

A atual conjuntura é justificada em boa parte pelo fenômeno meteorológico “El Niño”, que provocou fortes secas e afeta o nível de algumas das represas usadas na geração de energia na região.

Na Venezuela, com o objetivo de incentivar a economia de energia, o presidente do país, Hugo Chávez, pediu recentemente aos cidadãos para que carreguem uma lanterna quando usarem o banheiro de noite.

Chávez justifica a situação em seu país ao dizer que a época de chuvas, de maio a novembro, foi prejudicada em 2009 pelo “El Niño”, o que gerou, segundo ele, escassez de água e problemas de energia, já que 75% da matriz energética venezuelana é de origem hidrelétrica.

Além disso, segundo o presidente venezuelano, o “esbanjamento” dos consumidores e o aumento da demanda, cuja taxa de crescimento anual está entre 6% e 8%, resultaram em frequentes cortes de luz que, nos últimos meses, chegaram a durar dias, o que levou o Governo a tomar medidas de racionamento de energia.

Há duas semanas, Chávez criou o Ministério de Energia Elétrica, cujo titular, Ángel Rodríguez, anunciou como prioridades a economia de energia no setor público, a substituição de eletrodomésticos de baixa eficiência e a luta contra o desperdício.

No entanto, a oposição venezuelana culpa a falta de investimentos e o desenvolvimento de novos projetos energéticos por parte do Governo, que controla o fornecimento de energia por meio da Companhia Elétrica Nacional (Corpoelec).

Já o Equador está submetido desde quinta-feira passada a uma série de racionamentos elétricos devido à falta de chuvas no sul do país, que afetaram o funcionamento da usina hidroelétrica de Paute, a maior do país.

O Governo equatoriano já fechou um pré-acordo com o Peru para a compra de energia e analisa alugar turbinas de geração de eletricidade peruanas.

Com isto em mente, o presidente do Equador, Rafael Correa, disse hoje que os racionamentos por setores, de entre quatro e cinco horas de duração, podem ser reduzidos na semana que vem, mas insiste em seu pedido para que os equatorianos economizem energia.

No México, o Governo decretou no dia 11 de outubro a extinção da companhia pública Luz y Fuerza del Centro (LyFC), que operava na região central do país, incluindo na capital, por ser “ineficiente e inviável”.

Nos dias posteriores ao fechamento da empresa, suas operações foram assumidas pela também estatal Comissão Federal de Eletricidade (CFE), o que resultou em alguns cortes de luz menores nas áreas que dependiam da LyFC, que atendia 25 milhões de pessoas.

Em Cuba, embora cortes prolongados ou generalizados de energia não tenham acontecido nos últimos anos, a lembrança da instabilidade do fornecimento de luz nas últimas décadas e a grave crise econômica vivida pela ilha fez com que o Governo aplicasse um drástico plano de racionamento em junho passado.

A campanha inclui severas punições para quem descumprir o plano no setor estatal, como sanções, fechamento de empresas e limitações no uso de condicionadores de ar. Também há multas e cortes para os que cometerem irregularidades no setor residencial.

Um país que superou uma situação crítica foi o Uruguai, que passou o último verão com preocupação por culpa da seca e da queda no nível dos rios Uruguai e Negro, onde se encontram as represas que geram quase toda a eletricidade do país.

O Governo uruguaio, que à época teve que importar energia elétrica da Argentina e do Brasil, começou a fazer experiências com energia eólica em regiões elevadas do interior como forma de modificar parcialmente sua matriz energética.

Por outro lado, a Bolívia, que atualmente sofre com a seca em quatro departamentos – o que reduziu em 70% as reservas de água nas represas que alimentam La Paz e El Alto -, diz não ter problemas de fornecimento de energia.

No entanto, o Governo boliviano está negociando a nacionalização das três empresas geradoras de energia elétrica.

A Colômbia, por sua vez, anunciou hoje que continuará com suas vendas de energia e gás na medida em que não ponha em risco “o fornecimento e a confiabilidade do mercado interno”.

Ontem, especialistas advertiram que a Colômbia não deveria aumentar as exportações de energia para o Equador por estar em uma fase de economia com vistas ao período de estiagem no final do ano.

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