Em entrevista publicada hoje pelo diário argentino “Clarín”, Clara Rojas relatou que teve uma gravidez “difícil” e um parto “muito traumático”, além de esclarecer que não manteve uma “relação” com o pai da criança, integrante da guerrilha.
“Sim, Emmanuel é o filho da grande tragédia colombiana”, afirmou Rojas, que se encontra em Buenos Aires e esta semana foi recebida pela presidente da Argentina, Cristina Hirchner.
A criança nasceu em meados de 2004, enquanto a dirigente ainda era mantida em cativeiro pelas Farc, e sua mãe disse que ela aceitou que fosse separado dele para receber a assistência médica que precisava.
“Não podia negar porque não tínhamos recursos na selva e se acontecesse alguma coisa, ele poderia morrer. Foi uma decisão difícil, mas eu tinha a esperança de que entregassem meu filho à Cruz Vermelha, como eu havia pedido”, lembrou.
A mulher, que passou quase seis anos como refém das Farc e foi liberada no dia 10 de janeiro deste ano, afirmou que teve um “sentimento difícil” quando soube que estava grávida, já que “por um lado queria ter um filho, mas não na selva”.
“A relação atual com Emmanuel é maravilhosa. Ele me chama de mamãe o dia todo (…) mas há coisas que me preocupam, como o fato de estar tão exposta aos meios de comunicação”, acrescentou.
Rojas disse que seu filho, que completará 4 anos em abril, “ainda não perguntou pelo pai”, mas acrescentou que imagina que um dia ele perguntará e confessou que “pede a Deus que a ilumine esse dia”.
A ex-candidata à Vice-Presidência colombiana respondeu com certo incômodo quando lhe perguntaram pela versão jornalística segundo a qual Emmanuel foi fruto de uma relação consentida que manteve com um guerrilheiro.
“Nunca mantive qualquer relação nem falei disso. De onde tiraram isso? Tenho direito a minha privacidade, como meu filho”, advertiu.
Ela também negou que depois de uma tentativa de fuga tenha tido uma briga com Ingrid Betancourt, ex-candidata presidencial seqüestrada em 2002 pelas Farc, a quem Rojas disse desejar “o melhor”.
“Há diferenças no dia-a-dia, na amizade, mas essas coisas são simples frente a um drama tão grave. O que acontece é que nos separaram e eu estava muito preocupada com a minha criança. Estava muito centrada nele porque era o mais importante pra mim”.