O banco Citigroup fechou acordos com credores da Enron que lhe obrigam a desembolsar US$ 1, ampoule 66 bilhão, mas ao mesmo tempo lhe permitem fechar dois dos maiores litígios judiciais que tinha pendentes em relação ao maior escândalo financeiro na história dos Estados Unidos.
O banco e um grupo de credores da companhia energética emitiram hoje vários comunicados nos quais se detalhou que o Citigroup também concordou em renunciar a uma reivindicação pendente de US$ 249,4 milhões e a uma indenização em que pedia US$ 4 bilhões.
Por causa da quebra da Enron, em 2001, várias entidades financeiras se viram obrigadas a desembolsar grandes somas de dinheiro, diante de processos coletivos abertos por investidores que acusavam essas empresas de colaborar com o grupo energético para ocultar milhões de dólares de dívida.
Com os acordos anunciados hoje, o Citigroup resolve os dois maiores processos que tinha pendentes, segundo explicou o banco, que assegurou que o desembolso necessário “está completamente coberto por seus fundos reservados para litígios”.
Nesse sentido, acrescentou que liberará US$ 1,7 bilhão em dinheiro que estavam bloqueados em uma reserva de indenizações pendentes.
Os credores da Enron tinham apresentado reivindicações contra o Citigroup no valor de US$ 21 bilhões diante do Tribunal de Quebras dos EUA, mas após este acordo, parte delas foram retiradas.
Além disso, o banco fechou um acordo para resolver as disputas que tinha pendentes com os donos de US$ 2,4 bilhões em bônus emitidos pelo Citigroup com rendimento vinculado à qualidade creditícia da Enron.
Os donos de bônus alegavam que o Citigroup sabia que as dívidas da Enron eram muito superiores às que figuravam em seus balanços financeiros e que a exposição da firma financeira na companhia energética era, em 1999, de US$ 1,7 bilhão, quatro vezes o limite interno estabelecido pelo banco para seus investimentos em Enron.
Entre 1999 e 2001 o risco do Citigroup na Enron subiu ainda mais, ao mesmo tempo em que a companhia energética recebia uma série de créditos de parte do Citigroup que eram disfarçados como receitas, segundo argumentaram os advogados.
Os titulares desses bônus pensavam que, em caso de uma quebra, seus compromissos teriam uma prioridade alta de pagamento entre todos os outros credores da Enron.
O Citigroup insiste que não atuou de forma incorreta e garantiu que aceitou fechar os acordos, que agora devem ser aprovados pelo tribunal, “unicamente para eliminar as incertezas, cargas e despesas de processos judiciais prolongados”.
Os credores da Enron asseguraram que o acordo “representa uma enorme conquista, já que põe fim ao mega-processo interposto contra onze bancos em 2003”.
“Permite-nos recuperar US$ 5 bilhões para os credores, incluindo cerca de US$ 2,1 bilhões mais juros, lucro e dividendos aos titulares dos bônus Yosemite”, afirmou John Ray, presidente e executivo-chefe da Enron Creditors Recovery Corp, sociedade que reúne credores da firma.
O acordo anunciado hoje se soma a outros conseguidos pelos acionistas e credores do grupo energético desde sua quebra – que representaram o desembolso de US$ 2,4 bilhões por parte da Canadian Imperial, US$ 2,2 bilhões da JPMorgan Chase e US$ 2 bilhões do Citigroup, US$ 223 milhões da Lehman Brothers e US$ 69 milhões do Bank of America, entre outros.
A Enron declarou a segunda maior quebra da história empresarial americana em dezembro de 2001, após reconhecer que havia contabilizado centenas de créditos como operações de compra e venda.