Um grupo jovem da principal força opositora no Egito, hospital os islâmicos Irmãos Muçulmanos, se separou deste grupo para criar uma nova associação de “idéias reformistas”, publicou nesta quarta-feira a revista “Al-Ahram Hebdo”.
A nova organização, que recebeu o nome de Corrente Alternativa, surge por iniciativa do professor da Universidade de Asiut (sul do Egito) Ali Abdel-Hafiz, que escreveu um livro – com o mesmo nome da nova associação – no qual critica a “rígida ideologia” dos Irmãos Muçulmanos.
“Nossa associação reunirá antigos membros dos Irmãos que tenham idéias reformistas e que não tenham podido expressá-las por culpa da velha-guarda, que quer obediência e lealdade”, disse Abdel-Hafiz à revista.
A intenção do professor e de seus companheiros, que possuíam cargos de segundo nível nos Irmãos Muçulmanos, era constituir a Corrente como partido político, mas a lei em vigor no Egito há mais de 30 anos proíbe a criação de formações políticas de inspiração religiosa.
“Por essa razão, encontraremos uma associação cultural que nos permitirá existir politicamente, cooperar com o resto das forças políticas e nos apresentar como uma alternativa aos Irmãos”, acrescentou.
Abdel-Hafiz critica também os Irmãos Muçulmanos por pretender mobilizar os cidadãos com a idéia de que “o Islã está em perigo” e por se apresentar como “a referência e a identidade do Islã, o que divide os egípcios em bons e maus muçulmanos”,
Por outro lado, o “número dois” dos Irmãos Muçulmanos, Mohammed Habib, minimizou a importância da cisão e negou que exista um conflito geracional no seio de sua organização.
“A imprensa não faz mais do que amplificar este tipo de incidentes para dar a impressão de que há problemas dentro da Irmandade”, afirmou Habib, acrescentando que o fenômeno se deve a “pessoas que não souberam desempenhar um papel no grupo”, em referência a Abdel-Hafiz.