Seis meses após o início do julgamento de Alberto Fujimori, buy more about o processo passa por um momento de indefinição diante da cirurgia à qual foi submetido hoje o ex-presidente peruano.
Segundo o médico Alejandro Aguinaga, recipe Fujimori estará recuperado dentro de “quatro ou cinco dias”.
Desta forma, poderá comparecer ao julgamento em que responde por violação dos direitos humanos na próxima quarta-feira.
Fujimori sofria de leucoplasia, doença que pode ser cancerígena e se apresenta em forma de manchas brancas nas membranas mucosas da língua e interior da boca.
O ex-presidente deixou o Peru em uma crise política e moral após renunciar, do Japão, em 2000, ao se descobrir uma imensa rede de corrupção no Governo. Fujimori foi extraditado do Chile no ano passado e agora é julgado em seu país.
Este fato ocorre no momento em aconteceriam os depoimentos-chave, como a de seu ex-assessor Vladimiro Montesinos, preso por comandar o esquema de corrupção.
A Corte Suprema adiou esta declaração ao autorizar a entrada do acusado no hospital e após suspender ontem o processo por uma semana.
Apesar de uma junta médica ter confirmado a enfermidade, os inimigos do ex-presidente alertaram que o processo poderia ser anulado, já que a lei peruana estabelece que um julgamento oral não pode ficar suspenso por mais de oito dias.
Isto foi negado pelo advogado de Fujimori, César Nakazaki, reiterando que o desenvolvimento do julgamento favorece ao ex-governante.
“Perante o julgamento estamos muito satisfeitos”, declarou o advogado no fim da última audiência, ao afirmar que Fujimori é o mais interessado no prosseguimento do processo.
Com 67 audiências, o processo teve momentos de intenso debate, mas também de diminuições no interesse público, e o que se percebe é que se espera com impaciência sua conclusão.
Fujimori é acusado de ser mandante dos massacres perpetrados em Barrios Altos (1991) e La Canute (1992) pelo grupo militar encoberto Colina que deixou 25 mortos.
Ele também é acusado pelo seqüestro do jornalista Gustavo Gorriti e do empresário Samuel Dyer, após o “autogolpe” de Estado de 1992.
Há um paradoxo, pois 53,3% dos peruanos o consideram culpado destes delitos e 64,7% aprova sua gestão presidencial (1990-2000).
É o que diz uma recente pesquisa da empresa TPI, que acrescenta que a razão principal da aceitação ao regime fujimorista foi a erradicação do terrorismo, opinião de 26,1%, embora 50,4% acredite que seu Governo foi corrupto.
Durante o intenso processo judicial, destacaram testemunhos que podem inclinar a balança tanto para um lado quanto para o outro.
Tanto as declarações dos jornalistas Gustavo Gorriti e Umberto Jara quanto a do ex-general Rodolfo Robles, que denunciou a existência de Colina em 1993, poderiam provar sua culpa.
Por enquanto, passaram pelo palanque quase todos os membros de Colina: dois deles afirmaram que Fujimori conhecia suas atividades, mas outros negaram, como fez o líder do grupo, o ex-major Santiago Martin Rivas.
Por isso, Nakazaki considera que não existem provas documentais de que seu cliente tivesse o comando operacional e, portanto, vínculos com os crimes, enquanto a Promotoria e a Defesa Civil dizem que as testemunhas confirmam sua responsabilidade.
É que ao ser processado como mandante dos fatos não é necessário apresentar documentos ou autorizações de punho e letra que confirmem tal acusação.
Isso foi constatado em abril, quando o ex-general Julio Salazar Monroe, ex-chefe dos serviços de informação, foi condenado a 35 anos de prisão por considerá-lo “autor mediato” do massacre de La Cantuta.
Todos concordam, incluída a maioria dos peruanos, é que o processo se desenvolve de forma impecável e que quando terminar, previsivelmente em agosto, será difícil questionar a decisão do Alto Tribunal.