Cinco muçulmanos australianos foram condenados hoje por haver planejado atentados com bomba no país, em represália pelo apoio de Canberra às guerras no Afeganistão e Iraque no maior julgamento por terrorismo da história na Austrália.
A Corte Suprema do estado de Nova Gales do Sul considerou culpados Abdul Hassan, Khaled Cheikho, Mohammed Elomar, Mohammed Jamal e Mustafá Cheikho por acumularem explosivos e armas para perpetrar um massacre na Austrália entre novembro de 2004 e julho de 2005.
Os cinco, de 25 a 44 anos, enfrentam a uma pena máxima de prisão perpétua, cuja sentença se conhecerá no próximo 14 de dezembro.
Foram detidos no final de 2005 e a Polícia descobriu em suas casas de Sydney instruções para fabricar bombas e propaganda extremista, assim como imagens dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos e vídeos de decapitações.
Pelo menos um dos acusados esteve em campos de treinamento para terroristas financiados pela rede Al Qaeda no Paquistão e outros três ensaiaram ataques dentro da Austrália.
Durante o julgamento, que se prolongou durante dez meses e no qual compareceram mais de 300 testemunhas, a Promotoria apresentou partes de uma conversa telefônica na qual um dos acusados afirma que a jihad (ou guerra santa) é uma obrigação para todos os muçulmanos, e que Deus lhes outorgará o paraíso como mártires.
Aparentemente, um de seus alvos era a usina nuclear de Lucas Height, nos arredores de Sydney, mas nunca chegaram a fixar um alvo claro.
Quando o juiz Anthony Whealy comunicou o veredicto, os processados reagiram com aparente tranquilidade, mas fora da sala, seus simpatizantes enfrentaram a Polícia.
Antes de começar as deliberações, Whealy pediu ao júri popular que não se deixasse influir por sentimentos anti-muçulmanos ou racistas.
A maioria dos membros desta suposta célula terrorista são filhos de imigrantes de segunda geração em um país onde cerca de 500 mil de seus 21 milhões de habitantes professa o Islã.
Austrália nunca sofreu um ataque terrorista no interior de seu território, mas teve empresas e cidadãos vítimas de vários atentados cometidos nos últimos anos na Indonésia.
O mais grave foi o ocorrido na ilha de Bali em 2002, onde morreram 202 pessoas, entre elas 88 australianos.