Vários cientistas citados hoje pelo jornal The Washington Times demonstraram ceticismo sobre uma suposta operação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) para vender urânio, visit com o qual fabricariam uma bomba.
O jornal publica hoje um e-mail entre dirigentes das Farc no qual se fala em urânio, order mas também divulga opiniões de especialistas que minimizam tanto o risco real decorrente do fato de a guerrilha possuir 50 quilos do metal, quanto o preço suposto por sua venda: US$ 2,5 milhões.
O e-mail é um dos conteúdos dos computadores apreendidos por militares colombianos em um acampamento das Farc em território colombiano, atacado em 1° de março.
Segundo os cientistas consultados, o urânio não enriquecido “não pode ser utilizado para uma arma nuclear”, não é muito útil para a fabricação de uma “bomba suja” e meio quilo custa apenas cerca de US$ 100.
Matthew Bunn, especialista em assuntos nucleares da Universidade de Harvard, disse ao “The Washington Times” que o e-mail contém “indícios consideráveis de que se tratava de algum tipo de fraude, porque o citado preço de US$ 2,5 milhões por quilo é aproximadamente dez mil vezes mais do que vale o urânio em seu estado natural”.
“Isto sugere que as pessoas das Farc envolvidas neste assunto sabiam muito pouco sobre o tema”, disse Bunn ao jornal.
O e-mail publicado pelo “Washington Times” supostamente foi escrito em 16 de fevereiro por Edgar Tovar, um comandante regional das Farc, e dirigido a “Raúl Reyes”, porta-voz da guerrilha que morreu na incursão colombiana em território equatoriano em 1º de março.
Tovar menciona no e-mail um homem em Bogotá, identificado apenas pelo nome de Belisario, que, afirma, “vende explosivos que nós preparamos”, e acrescenta que deveria ser um negócio com um Governo.
Ivan Oelrich, da Federação de Cientistas Americanos, disse ao “Washington Times” que é pouco provável que os rebeldes estivessem falando de urânio para fabricar uma bomba nuclear.
O urânio em seu estado natural é um metal pesado com pouquíssima radioatividade, embora contenha pequenos traços de um isótopo pouco comum que contribui à reação em cadeia de uma bomba nuclear.
Segundo Oelrich, somente se fossem pedidas quantidades maiores, pelo menos cem vezes a mais que as Farc supostamente pretendiam vender, seria possível extrair suficiente quantidade de isótopos para uma ou duas bombas nucleares, e se trata de um processo técnico e industrial muito complexo.
Steve Kidd, um cientista da Associação Mundial Nuclear, em Londres, ressaltou que este tipo de urânio “seria inútil para uma bomba radioativa”.