Menu
Mundo

Cientistas descobrem nova espécie de Spinosaurus no Níger

A Spinosaurus mirabilis, um predador semiaquático de 12 metros, caçava peixes em rios do Cretáceo há 95 milhões de anos.

Redação Jornal de Brasília

20/02/2026 8h51

peru science palaeontology fossil

Esta foto de folheto divulgada pelo Instituto Geológico, de Mineração e Metalúrgica do Peru (INGEMMET) em 27 de setembro de 2024 mostra uma exibição dos restos fósseis de um dos três mastodontes encontrados em Junin, Peru. Os restos fósseis de três mastodontes com mais de 11.000 anos foram encontrados na região andina central de Junin, Peru, relataram pesquisadores em 27 de setembro. (Foto de Ivan MEZA / Instituto Geológico, de Mineração e Metalúrgica do Peru (INGEMMET) / AFP)

Cientistas anunciaram a descoberta de fósseis de uma nova espécie de dinossauro carnívoro, o Spinosaurus mirabilis, no deserto do Saara, no Níger. A pesquisa, publicada na revista Science, revela que esse predador semiaquático media cerca de 12 metros de comprimento e pesava entre 5 e 7 toneladas.

Os fósseis foram encontrados em Jenguebi, uma localidade remota cercada por dunas de areia. A expedição ocorreu em 2022, partindo de Agadez e enfrentando dificuldades como ficar presos na areia. Além dos crânios e ossos do Spinosaurus mirabilis, foram coletados fósseis de outras criaturas.

Essa é a segunda espécie conhecida do gênero Spinosaurus, após o Spinosaurus aegyptiacus, nomeado em 1915 com base em achados no Egito. Ambas as espécies compartilham características como espinhas dorsais que formam uma vela nas costas e um crânio adaptado para caçar peixes. No entanto, o S. mirabilis possui uma crista craniana óssea de cerca de 50 centímetros de altura, semelhante a uma cimitarra, focinho mais alongado, dentes mais espaçados e membros posteriores mais longos.

O nome mirabilis significa ‘impressionante’, em referência à sua crista, que provavelmente servia para exibição, possivelmente com cores vivas para atrair parceiros ou defender territórios. Os pesquisadores, liderados pelo paleontólogo Paul Sereno, da Universidade de Chicago, descreveram o animal como uma ‘garça infernal’ por sua caça a peixes grandes, como celacantos, em rios de um ambiente florestal do interior.

Adaptações piscívoras extremas incluem narinas retraídas para submergir o focinho enquanto respira, e dentes cônicos sem serrilhas que se interdigitam, formando uma ‘armadilha para peixes’ que perfura e segura presas escorregadias. O coautor Daniel Vidal destacou que o S. mirabilis era melhor em caçar peixes do que outros dinossauros.

Diferentemente de hipóteses anteriores que o consideravam totalmente aquático, os fósseis encontrados a 500 a 1.000 quilômetros da costa indicam que era um predador de águas rasas. Sereno chamou a descoberta de ‘o golpe de misericórdia para a hipótese aquática’.

O Spinosaurus mirabilis junta-se a gigantes como Tyrannosaurus, Giganotosaurus e Carcharodontosaurus como um dos maiores carnívoros. Popularizado em filmes como Jurassic Park, o gênero ganha destaque com essa revelação do período Cretáceo na África.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado