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Cidadãos bolivianos sobrevivem com salários inferiores a US$ 100 ao mês

Arquivo Geral

17/03/2008 0h00

Após vários dias em greve, ambulance quatro policiais, desesperados, ameaçaram cometer suicídio essa semana se o Governo boliviano não aumentar seus salários.

Os agentes lembraram o desafio, compartilhado por muitos bolivianos, de sobreviver com pouco mais de US$ 100 por mês.

“Somos gente humilde que trabalha. Preferimos o suicídio a morrer de fome”, afirmou um dos policiais, entrincheirado em um edifício da cidade de Cochabamba, com uma pistola na mão.

O salário mensal destes agentes quase não chega a US$ 120, realidade de diversos setores profissionais, segundo várias fontes consultadas pela Agência Efe.

Um professor primário ganha quase o equivalente a US$ 127, e esse valor ainda sofre alguns descontos, explica Jorge Valdivieso, secretário-executivo da Confederação de Professores Urbanos.

Após 30 anos de trabalho, o valor máximo que um professor pode chegar a ganhar não supera os US$ 260, afirma Valdivieso.

Nos classificados de empregos de um jornal é possível ler: “Preciso de um vendedor(a) para a cidade de La Paz. Período integral. Oferece-se salário de US$ 106”.

O salário mínimo nacional está situado, atualmente, em pouco mais de US$ 76.

Um terço dos habitantes da Bolívia, porém, sobrevivem com menos de US$ 30 por mês, e outro terço com valores entre US$ 31 e US$ 60, de acordo com relatórios de organismos internacionais.

Em maio do ano passado, a ONU estabeleceu que 60% dos bolivianos vivem na pobreza e, destes, 40% não conseguem alimentar suas famílias.

Qualquer pequeno aumento no preço de alimentos básicos, como o pão, é preocupante para uma grande parte da população.

Outro problema é a elevada inflação, que, em 2007, foi de 11,7% e, nos dois primeiros meses deste ano, já chegou a 3,74%, quase a metade do previsto pelo Governo de Evo Morales para o ano todo.

Na semana passada, o presidente Morales emitiu um decreto para que, durante este ano, as empresas aumentem de forma obrigatória os salários mínimos de seus empregados sobre a base de 10%.

Um projeto de lei elaborado pelo Senado, de maioria opositora, propõe um aumento de 12% para todos os funcionários públicos e do setor privado, e de 15% para os trabalhadores de saúde e educação.

A Confederação de Empresários Privados da Bolívia (CEPB) já antecipou seu mal-estar ao ressaltar que qualquer aumento salarial deve ser estipulado entre a empresa e os trabalhadores “sem a intervenção do Estado”.

Quando chegou ao poder, em janeiro de 2006, Morales determinou a redução de seu salário para cerca de US$ 2 mil, menos da metade do que ganhavam presidentes anteriores.

Deputados e senadores também reduziram seu salário à metade.

Além disso, o presidente implementou este ano a chamada Renda Dignidade, uma ajuda “universal e vitalícia” de US$ 26 mensais para os maiores de 60 anos que supõe um pequeno alívio para as economias mais precárias, principalmente na área rural.

No país considerado o mais pobre da América do Sul, é compreensível que um policial ameace se matar ou inicie uma greve de fome com sua família para chamar a atenção das autoridades para sua situação precária.

No entanto, geralmente acabam se conformando, como neste caso, com o aumento de US$ 2 em um bônus mensal e a promessa do Governo de um futuro aumento salarial de 10%, porque essa alta simbólica é o primeiro passo para uma melhor sobrevivência dentro da pobreza.

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