Atualizado às 18h25.
O ciclone chegou a Bangladesh na noite da quinta-feira, sildenafil e arrasou a costa com ventos de 240 km/h que causaram uma elevação de cinco metros no nível do mar e a destruição de milhares de casas, árvores e cabos elétricos.
Com muitas áreas ainda incomunicáveis, fontes oficiais afirmaram à agência de notícias bengali UNB que há pelo menos 1,1 mil mortos e mais de 300 desaparecidos.
A ONU informou hoje que as informações preliminares de Bangladesh indicam que o violento ciclone Sidr causou cerca de mil mortes e estragos extremamente graves ao passar pelo país asiático.
Em Nova York, o subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, John Holmes, disse hoje que a organização separou milhões de dólares de seu fundo de emergências para responder às conseqüências da tempestade.
O país se encontra praticamente às escuras. Os distritos mais atingidos, sobretudo na linha litorânea, continuam sem água potável, sistema de transportes e conexão telefônica, e por isso o número de vítimas poderá aumentar.
Há áreas remotas e ilhas em frente à costa às quais as equipes de resgate ainda não puderam chegar, afirmou o secretário de Gestão de Desastres, Ayub Mian.
Muitos dos mortos são pessoas que se refugiaram em suas pequenas casas de bambu e folha-de-flandres, insuficientes para protegê-las dos fortes ventos.
As autoridades continuam preocupadas com o destino das dezenas de pequenas embarcações que não conseguiram retornar à costa.
Após assolar o sul do país, o ciclone se deslocou em direção ao centro de Bangladesh, onde está situada a capital, Daca, e – já transformado em tempestade tropical – se deslocou para as regiões indianas de Tripura e Assam.
O aeroporto de Daca e o principal porto do país, na cidade de Chittagong (sul), estão fechados devido aos ventos, o que dificulta a tarefa das organizações humanitárias e internacionais que trabalham no local.
Na quinta-feira, 3,2 milhões de pessoas tinham sido evacuadas em 15 distritos de Bangladesh, segundo a Cruz Vermelha, mas apenas 620 mil delas puderam ser alojadas em abrigos especiais, enquanto as demais simplesmente saíram de suas casas em direção a terras mais altas.
Claro que o trabalho não é suficiente. Há centenas de mortos. Temos recursos limitados. Dizem que este ciclone tem a mesma intensidade que o de 1991, mas desta vez estamos mais preparados, disse um porta-voz da organização no Sul da Ásia, Devinder Tak.
Tak se referia a um grande ciclone ainda lembrado pelos bengaleses, que matou 150 mil pessoas em 1991, após erguer uma onda de oito metros.
A Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho têm várias equipes atuando no local para reduzir os efeitos do ciclone sobre a população, uma ajuda que acompanhará as 98 toneladas de comida destinadas às vítimas por parte do Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas.
Bangladesh é um país costumeiramente atingido por ciclones e, segundo os cálculos dos meteorologistas, nos últimos 125 anos o litoral do país foi atingido por 80 grandes tempestades que mataram dois milhões de pessoas e desabrigaram dezenas de milhões.
Cerca de 60 milhões dos 140 milhões de habitantes do país vivem a menos de dez metros acima do nível do mar, por isso uma cheia como a desta madrugada tem conseqüências catastróficas.
Este foi um dos piores pesadelos deste tipo que vivi, disse um idoso da cidade de Patuakhali, inundada assim como as localidades de Bagerhat, Barisal e Barguna, esta última conhecida popularmente como filha do mar.