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Chirac presta depoimento sobre esquema de corrupção na Prefeitura de Paris

Arquivo Geral

19/07/2007 0h00

Em um fato sem precedentes na República Francesa, viagra 60mg o ex-presidente Jacques Chirac foi interrogado hoje por um juiz sobre o suposto financiamento ilegal de seu partido quando era prefeito de Paris, antes de chegar à Presidência em 1995.

O depoimento durou mais de quatro horas e aconteceu no próprio escritório de Chirac, com a presença do advogado dele, Jean Veil. O caso investiga os “empregos fictícios” (fantasmas) que teriam existido na Prefeitura de Paris a favor do RPR, então partido de Chirac, quando ele era presidente da legenda (1976-1994) e prefeito da capital francesa (1977-1995).

O interrogatório correu a cargo do juiz Alain Philibeaux, do Tribunal de Nanterre (arredores de Paris). “As explicações do ex-presidente da República foram muito completas, transparentes. Explicitam seu papel e conhecimento dos fatos” e “portanto deveriam satisfazer o juiz”, disse o advogado.

Embora sem imaginar que o juiz queira interrogar Chirac de novo, Veil reconheceu que é Philibeaux quem decide, e não quis responder se exclui a acusação do cliente. O ex-presidente, de 74 anos, se expressou de maneira “muito completa e serena”, em um clima de “grande simplicidade e cortesia” e às vezes de “humor”.

Veil não quis revelar “a estratégia da defesa”, mas, segundo a imprensa, Chirac negou que tivesse havido um sistema organizado de financiamento ilícito do partido. A imunidade que Chirac teve como presidente durante 12 anos no Palácio do Eliseu terminou em 16 de junho, um mês após deixar o cargo para o sucessor, Nicolas Sarkozy.

Veil comentou que, diante dos juízes, Chirac retomou parte das explicações que expôs hoje em um artigo no jornal “Le Monde”.

No texto, Chirac não comenta o caso dos “empregos fictícios” mas explica o período anterior à lei de janeiro de 1995 sobre o financiamento dos partidos políticos, “marcado pela explosão das necessidades” e o caráter “inadequado” das regras.

“Os chamados assuntos de financiamento dos partidos políticos” remontam a esse período, afetando “todos os partidos, de esquerda e de direita”, ressalta Chirac. Ele tenta convencer os franceses de que os dirigentes políticos da época agiram “com probidade”.

“Além das apresentações caricaturais, há uma realidade: só muito excepcionalmente” houve casos de enriquecimento pessoal, que foram punidos, afirma Chirac. O ex-presidente se diz disposto a “testemunhar perante a opinião pública e responder aos juízes”, com “consciência limpa”.

Além desse “contexto geral”, foram abordados no depoimento se Chirac sabia sobre pessoas beneficiadas com empregos fantasmas e o caso de uma funcionária da Prefeitura que trabalhava para o RPR.

A Justiça tem em mãos uma carta de 1993 assinada por Chirac e dirigida ao secretário-geral da Prefeitura pedindo a promoção de uma secretária, que destacava por “cumprimento exemplar” das “funções delicadas” que exercia no RPR.

Chirac saiu do interrogatório sem dar declarações, por volta das 11h30 (8h30 em Brasília). Ele foi ouvido como “testemunha assistida” por um advogado – uma figura jurídica a meio-caminho entre testemunha e acusado. O fato de ser convocado como testemunha assistida não impede uma acusação posterior.

O caso dos “empregos fictícios”, que junto com outros de financiamento ilegal de partidos pode macular a aposentadoria de Chirac, acabou com a carreira de seu ex-herdeiro político, o ex-primeiro-ministro Alain Juppé.

Antigo braço-direito de Chirac na Prefeitura e no RPR, Juppé foi condenado em 2004 a 14 meses de prisão e um ano sem direitos políticos.

Em 2002, o RPR (Reunião Pela República) foi fundido no atual partido conservador e governista UMP (União por um Movimento Popular). Chirac ainda pode ser intimado por outros três casos.

Por outro lado, ele se recusa a dar depoimento no “caso Clearstream”, com o argumento de que um ex-chefe de Estado tem imunidade por atos ocorridos no desempenho de seu mandato. O caso foi uma trama de denúncias caluniosas em 2004, aparentemente destinada a comprometer Sarkozy, então aspirante à Presidência.

Segundo a imprensa, um personagem-chave acusado no caso, Jean-Louis Gergorin, confirmou ontem aos juízes informações que envolvem Chirac e o ex-primeiro-ministro Dominique de Villepin no caso. Villepin deve depor no próximo dia 27.

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