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China pede que Japão e Coreia do Sul voltem a se aproximar da Coreia do Norte

Arquivo Geral

10/10/2009 0h00

A cúpula realizada hoje em Pequim entre China, Japão e Coreia do Sul serviu para que o Governo chinês pedisse a seus parceiros regionais que voltem a se aproximar da Coreia do Norte em nome das negociações para desnuclearização norte-coreana.

“A Coreia do Norte não espera melhorar as relações apenas com os EUA, mas também com a Coreia do Sul e o Japão”, afirmou o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, em uma entrevista coletiva sobre o encontro.

“Esta é a impressão mais profunda que levarei da minha visita”, acrescentou o chefe de Governo do principal aliado político e econômico do regime norte-coreano.

Um comunicado conjunto das três delegações defendeu “esforços” conjuntos em prol da “retomada das negociações” multilaterais sobre o programa atômico de Pyongyang, da “paz e da estabilidade na Ásia Nordeste” e de “uma Ásia de paz, harmonia, abertura e prosperidade”.

No Grande Palácio do Povo, na capital chinesa, Wen recebeu seu colega japonês, Yukio Hatoyama, e o presidente sul-coreano, Lee Myung-Bak.

A reunião foi a primeira com as mesmas características da realizada em Fukuoka (Japão) em dezembro do ano passado.

Sendo as relações com a Coreia do Norte o principal tema da cúpula, Wen informou as delegações japonesa e sul-coreana de sua recente visita a Pyongyang, onde o chefe de Estado norte-coreano, Kim Jong-il, falou-lhe sobre a possibilidade de retomar as negociações para a desnuclearização do país.

Segundo a agência oficial chinesa “Xinhua”, Wen destacou a importância de os conflitos na região serem resolvidos mediante o diálogo e o apoio do Governo chinês a conversas bilaterais “conscienciosas e construtivas” entre Pyongyang e Washington.

No entanto, lembrou que, originalmente, esse diálogo, suspenso desde abril, quando a ONU impôs duras sanções à Coreia do Norte devido ao lançamento de um míssil de longo alcance, também envolve China, Japão, Rússia e a Coreia do Sul.

Wen destacou ainda que “a oportunidade (de diálogo) pode desaparecer se não for aproveitada” logo.

Já o presidente sul-coreano disse que a comunidade internacional deve lançar um grande pacote de incentivos para que Pyongyang abandone seu programa nuclear.

“É um bom momento para que a Coreia do Norte deixe suas ambições nucleares e haverá bons resultados se pudermos apresentar de uma só vez passagem uma proposta de solução para o assunto e as condições para isso”, declarou.

Segundo a agência de notícias sul-coreana “Yonhap”, que citou fontes diplomáticas sul-coreanas, Japão e China concordaram com a proposta.

“A Coreia do Sul está aberta a qualquer diálogo, mas o objetivo final de qualquer reunião entre o Norte e o Sul é que a Coreia do Norte abandone suas ambições nucleares”, concluiu Lee.

O novo primeiro-ministro japonês, por sua vez, mostrou-se cauteloso, mas confiante em que o caminho aberto recentemente conduzirá a um acordo específico.

“Espero que as conversas multilaterais se realizem depois do encontro entre a Coreia do Norte e os EUA, e sirvam para abrir caminho para a desnuclearização”, declarou Hatoyama em entrevista coletiva.

Na cúpula, os três líderes também trataram da crise econômica mundial, ocasião que o novo premiê japonês aproveitou para mostrar sua política de aproximação em relação à China.

“Este ano é crucial para lidarmos com a crise financeira internacional e voltarmos ao crescimento”, afirmou. “Pode-se dizer que dependíamos muito dos EUA. Mesmo sendo importante a aliança Japão-EUA, quero desenvolver políticas mais focada na Ásia, como membro da região”.

Os três disseram ainda que é “cedo demais” para suspender os planos de estímulo à economia aprovados no auge da crise.

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