A China utilizará suas boas relações com o Governo sudanês para fazer com que ele “seja mais flexível” no momento de colaborar com a comunidade internacional, order disse hoje o enviado especial chinês para o conflito de Darfur, Liu Guixin.
“Temos boas relações com o Sudão, temos algumas vantagens que podemos utilizar como alavanca para aconselhar o Governo sudanês, sobre a base da igualdade, para que seja mais flexível e coopere mais com a comunidade internacional”, disse hoje Liu em entrevista coletiva para informar sobre sua última visita à região.
Liu, um veterano diplomata chinês na África, foi nomeado em maio do ano passado enviado especial chinês em Darfur, em meio a críticas internacionais contra Pequim por seu apoio ao regime de Cartum, acusado de apoiar os massacres cometidos pelas milícias árabes “Janjaweed”.
“Darfur se transformou em um foco de interesse internacional e muitos países querem que a China tenha um papel maior, por isso me nomearam enviado especial”, reconheceu Liu, que viajou desde então quatro vezes à conflituosa região.
Em sua última visita, o enviado chinês manteve também encontros sobre esta crise com Reino Unido, França e Chade.
Liu, que reconheceu que o processo político é “lento” no Sudão, declarou que, embora a China não considere por enquanto enviar tropas de combate à região, poderia fazê-lo no futuro.
Além disso, insistiu em que é “pouco razoável” vincular o conflito de Darfur aos Jogos Olímpicos.
“Estamos abertos para ouvir qualquer comentário que contenha elementos razoáveis, mas nos opomos firmemente aos que tentem escurecer os Jogos Olímpicos com o pretexto de assuntos que não possuem qualquer com o evento, como o de Darfur”, apontou.
Sobre a venda de armamento de seu país ao Sudão, afirmou que a “China proporciona algumas armas ao país, mas pelo menos sete países fazem o mesmo e o gigante asiático não é de nenhuma forma o maior exportador de armas ao Sudão”.
Segundo a ONU, mais de 200.000 pessoas morreram em Darfur devido à fome e à guerra desde que em 2003 começasse o conflito civil entre as milícias árabes e os grupos étnicos locais, que deixou ainda cerca de 2,5 milhões de deslocados.