A China comemorou hoje seu Dia Nacional do Jornalista com obstáculos a profissionais estrangeiros que escrevem sobre assuntos espinhosos, viagra 40mg o que, segundo organizações do setor, cria sombras sobre o trabalho de quem vai cobrir os Jogos Olímpicos de Pequim em 2008.
O jornal South China Morning Post publicou hoje um apelo em favor do direito à liberdade de expressão elaborado pela ONG Repórteres sem Fronteiras (RSF), que denunciou a morte de um jornalista, dezenas de feridos e 33 presos este ano. O Governo nega.
Justamente hoje, em um novo caso, a Polícia impediu jornalistas da imprensa estrangeira de trabalhar, inclusive a Agência Efe, exigindo todo tipo de documentos quando tentavam cobrir os protestos de moradores em um despejo no centro de Pequim.
Segundo a RSF, a comemoração do Dia do Jornalista é uma frustração para as ONGs que defendem a liberdade de imprensa.
Um documento da RSF explica parte do funcionamento do aparelho de censura para a imprensa nacional com diretrizes do departamento de propaganda do Partido Comunista da China (PCCh) aos jornalistas antes do XVII congresso, que acabou de acontecer.
Assuntos delicados – na maioria, corrupção, pena de morte, direitos humanos, eventuais repressões no Tibete ou os eventos de 1989 na Praça da Paz Celestial – são habitualmente censurados.
Entre as recomendações aos jornalistas nacionais, constavam também não escrever reportagens sobre certos assuntos, não enviar jornalistas para cobri-los, não exagerar nem criticar, evitar análise ou pedir permissão para publicar um determinado ângulo.
Mas, em uma demonstração de abertura, e às vésperas dos Jogos de Pequim, novas normas regulam a atuação dos jornalistas estrangeiros na China desde o início de 2007. Agora não é mais exigido o pedido de permissão para entrevistas, apenas portar sempre o crachá oficial de imprensa.
No entanto, não é raro que soldados da Segurança Pública peçam passaportes e que façam fiscalização de imigração sobre jornalistas que cobrem assuntos delicados, como protestos por despejos em pleno centro de Pequim.
Ocorrem casos em que a Polícia insiste em obrigar os jornalistas que tentam informar a parar de trabalhar e inclusive tentam obrigá-los a comparecer aos órgãos de imigração.
As normas que entraram em vigor este ano buscam facilitar o trabalho dos milhares de jornalistas que irão a Pequim em agosto de 2008.
O porta-voz do Ministério do Exterior Liu Jianchao disse hoje à Efe que é compreensível que a Polícia faça perguntas na vizinhança.
Ainda não pude investigar se esses policiais estão a par das regras ou não estão bem implementadas, disse Liu sobre o caso de hoje.
Trata-se de um incidente isolado. Caso haja mal-entendidos ou falta de cooperação, espero que possamos reforçar a comunicação e assegurar uma feliz cobertura na China, acrescentou.
Minutos antes, o porta-voz tinha parabenizado a imprensa pelo feriado chinês.
Um relatório elaborado pelo Clube de Correspondentes Estrangeiros na China (FCCC, em inglês) destacou que este tipo de incidente não é tão isolado e pedir mais documentos pode parecer uma estratégia, disse à Efe Jocelyne Ford, membro do Clube.
Um documento profissional do FCCC enviado ao Comitê Olímpico Internacional (COI) e ao Governo chinês registra três casos de ataques físicos contra correspondentes que a Polícia se negou a investigar, não permitiu o acesso a entrevistas consentidas e pediu para eliminar fitas gravadas e fotos tiradas em espaços públicos.
Segundo o FCCC, esses incidentes com a Polícia são interferências burocráticas: prolongadas inspeções de documentos como passaportes a fim de impedir a cobertura durante mais tempo do que o necessário ou forçar a imprensa a sair da área.
No entanto, o documento acrescenta que as piores violações da liberdade de imprensa na China não são as que os correspondentes estrangeiros sofrem, mas as contra a imprensa local.