Menu
Mundo

China avança na previsão do tempo com inteligência artificial

Modelos chineses como Fengwu, Pangu e Fuxi ganham espaço ao combinar rapidez e precisão em algumas previsões. A tecnologia vem sendo usada como complemento aos sistemas tradicionais, especialmente na temporada de tufões no Leste Asiático.

Redação Jornal de Brasília

11/08/2026 20h45

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Enquanto meteorologistas acompanhavam a trajetória do tufão Dolphin em direção à China, uma nova geração de modelos meteorológicos baseada em inteligência artificial passou a atuar em conjunto com os sistemas tradicionais de previsão, em um movimento que reforça a posição da China na corrida por melhorias na área.

Entre os sistemas desenvolvidos no país estão o Fengwu, do Laboratório de IA de Xangai, o Pangu, da Huawei, e o Fuxi, da Universidade de Fudan. Segundo pesquisadores, esses modelos conseguem gerar previsões muito mais rapidamente do que os sistemas convencionais e, em alguns indicadores, igualam ou superam a precisão das ferramentas tradicionais.

A previsão do tempo por décadas foi baseada em modelos numéricos executados em supercomputadores, que simulam a física atmosférica. Já os modelos de IA aprendem padrões a partir de grandes volumes de observações meteorológicas históricas e podem produzir previsões em uma fração do tempo. A tecnologia tem sido testada com mais frequência durante a სეზão de tufões no Leste Asiático, quando pequenas melhorias na previsão de trajetória podem ajudar autoridades a se preparar para inundações, organizar retiradas de pessoas e lidar com interrupções no transporte.

A expansão desse tipo de previsão criou um novo campo de competição entre empresas de tecnologia, institutos de pesquisa e agências meteorológicas, com a China entre os principais participantes. No cenário global, também estão entre os modelos mais conhecidos o GraphCast e o GenCast, do Google, o FourCastNet, com suporte da Nvidia, e o AIFS, do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo.

O Fengwu ganhou atenção após desenvolvedores afirmarem que ele superou o GraphCast em cerca de 80% das variáveis meteorológicas avaliadas e ampliou a precisão das previsões globais de médio prazo para além de 10 dias. Para Sun Zhi, diretor de tecnologia da Techwind, empresa responsável pelas aplicações industriais do Fengwu, o avanço da inteligência artificial na área responde à demanda por informações em um contexto de fenômenos climáticos extremos.

Apesar dos ganhos em velocidade e dos custos de computação mais baixos, os sistemas de IA ainda são vistos como complemento às previsões convencionais, e não como substitutos imediatos. Sun afirmou que os modelos já conseguem prever a trajetória de tufões — no caso do Dolphin, o Fengwu indicou cinco dias antes da chegada à costa o horário e o local do impacto na China continental com precisão de 30 minutos e 30 km —, mas ainda ficam atrás dos modelos tradicionais na previsão da intensidade das tempestades e não foram testados na previsão de grandes mudanças climáticas.

Segundo ele, ainda será necessário um longo período de pesquisa científica até que esse tipo de sistema conquiste a confiança necessária para prever com antecedência eventos como El Niño ou mudanças na temperatura da superfície do mar com impacto no ciclo reprodutivo dos peixes. Por enquanto, o uso simultâneo de modelos tradicionais e de inteligência artificial deve continuar por algum tempo.

    Você também pode gostar

    Assine nossa newsletter e
    mantenha-se bem informado